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Organizações católicas decepcionadas com cimeira de Madrid sobre o Clima

| 17/12/2019

Organizações católicas decepcionadas com cimeira de Madrid sobre o Clima

by | 17 Dez 19 | Casa Comum, Destaque 2, Igreja Católica, Últimas

Manifestação de activistas católicos durante a COP25, cimeira sobre o clima em Madrid. Foto CIDSE

 

“É decepcionante haver ainda uma enorme lacuna entre o que as pessoas exigem nas ruas exigem e a forma como os governos estão a agir”, afirmou Chiara Martinelli, consultora da CIDSE (rede de 17 agências católicas de cooperação e desenvolvimento na Europa e na América do Norte), a propósito dos resultados da cimeira sobre o clima, em Madrid.

Em declarações ao Catholic News Service, publicadas nesta terça-feira, 17 de Dezembro, a mesma responsável acrescentou: “Todos chegámos aqui com muita esperança e energia, incentivados pela grande mobilização de jovens dos últimos meses, mas descobrimos que todos estavam apenas a negociar pelos seus próprios interesses. Não é encorajador ver os obstáculos apresentados por grandes protagonistas como os Estados Unidos, a China, a Austrália e o Japão.”

Os grupos católicos estavam ao lado dos “países mais vulneráveis” do mundo, afirmou Martinelli, e conseguiram que a “linguagem dos direitos humanos” fosse incluída nas negociações. O director da CAFOD (Agência Católica para o Desenvolvimento Além-Mar, de Inglaterra e Gales), Neil Thorns, que integra também a CIDSE, sublinhou igualmente que as organizações católicas têm de “garantir que os mais pobres e vulneráveis ​​estejam sempre no centro das discussões”.

Dessa mesma posição a FEC (Fundação Fé e Cooperação, organização portuguesa que integra a CIDSE) tinha dado conta na fase final da cimeira, lembrando, entre outras questões, que as vozes dos povos afectados pelas alterações climáticas “mostram que a consulta é essencial para qualquer solução climática” e que as “soluções verdadeiras vêm da terra, de pessoas que conhecem as necessidades, a comunidade, a paisagem e a ecologia local”.

Como recordava também a organização não-governamental Oxfam, durante a cimeira, os desastres climáticos tornaram-se, na última década, a principal causa da deslocação de pessoas em todo o mundo, forçando mais de 20 milhões por ano a deixarem as suas casas.

 

Repensar a estratégia

Martinelli admitiu, entretanto, que a CIDSE  e outras organizações estão obrigadas a repensar a sua estratégia, para conseguir acções mais firmes, tendo em conta o fracasso desta COP25. Uma das razões para tal é o poder que têm as empresas comerciais e outros protagonistas com muito poder, que “falam um idioma completamente diferente”.

O desafio é, agora, convencer os governos a “ouvir as pessoas e não os grupos de interesse”. Porque as coisas “seriam muito piores” sem estas organizações a participar, acrescentou. “Já recomeçámos a trabalhar para manter a pressão e aumentar as ambições antes da próxima cimeira. As pessoas nas ruas já estão mobilizadas e precisamos da Igreja institucional para ajudar os governos a fazerem as escolhas políticas corretas”, acrescentou na entrevista.

Neil Thorns, da CAFOD, afirmou, citado ainda pela mesma fonte, que a mensagem do Papa Francisco à COP25, pedindo maior vontade política em consonância com a ciência climática, “dera o tom para o envolvimento católico”. Mas é “deprimente e indefensável” que os líderes mundiais se tenham perdido com detalhes técnicos, criticou.

Thorns elogiou ainda o papel da delegação do Vaticano, com cerca de 60 pessoas, liderada pelo arcebispo Bernardito Auza, núncio apostólico em Espanha, que ajudou a estabelecer pontes entre diferentes grupos católicos. Agora, a CAFOD, a Cidse e outras organizações contam com as conferências nacionais de bispos para “olharem além das fronteiras”, especialmente em países onde a Igreja Católica tem influência.

“Não podemos separar a crise climática da pobreza e desigualdade em todo o mundo”, dizia o mesmo responsável. “O Papa mostrou como tudo está interligado: o clamor da terra e o clamor dos pobres têm as mesmas causas e 2020 será um ano chave para transmitir essa mensagem de ecologia integral.”

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