
Países de baixos rendimentos só conseguiram despender 6% do valor do seu PIB no combate à pandemia, avisam igrejas. Foto © Marcelo Schneider_WCC-CMI
Várias federações ecuménicas de igrejas cristãs escreveram ao G20, o grupo de países mais poderosos do mundo, exortando à urgente mudança no sistema fiscal mundial, e à aplicação de medidas fortes de protecção social para garantir que os mais pobres e vulneráveis têm apoios que lhes permitam resistir às consequências sanitárias e económicas da covid-19.
A carta é assinada pelo Conselho Mundial de Igrejas, Comunhão Mundial das Igrejas Reformadas, Federação Luterana Mundial, Conselho Mundial Metodista e Conselho para a Missão Mundial. Em conjunto, estas organizações representam centenas de igrejas ortodoxas, protestantes e anglicanas e um total de 500 milhões de cristãos em todo o mundo.
De acordo com um comunicado e o texto da carta do Conselho Mundial de Igrejas, enviados ao 7MARGENS, a missiva é dirigida aos ministros das finanças do G20, a propósito do simpósio internacional sobre impostos, que decorre na próxima sexta-feira, 9 de Julho.
Nunca foi tão urgente e necessário alterar o sistema fiscal mundial, dizem as organizações cristãs. “A pandemia revelou mais uma vez a importância do acesso das pessoas aos cuidados de saúde essenciais e à segurança básica dos rendimentos ao longo das suas vidas”, diz o texto.
“Até à data, os países ricos gastaram 35,6% do seu PIB na resposta à emergência sanitária e no apoio ao emprego e às empresas”, acrescenta o texto. Mas, em contraste, os países de baixos rendimentos só conseguiram despender 6% do valor do seu PIB no combate à pandemia e lutam agora para tentar satisfazer as exigências de protecção dos seus cidadãos, nota ainda o documento.
“Sendo a fonte de receitas mais sustentável, os sistemas fiscais têm um papel central a desempenhar no reforço das iniciativas do sector social e no financiamento da recuperação da crise”, diz ainda o texto, que reconhece “os recentes esforços da comunidade internacional na reforma fiscal, nomeadamente a proposta do G7 para um imposto mínimo global sobre as empresas de 15%”.
No texto, os responsáveis cristãos dizem que as injustiças endémicas da pobreza global, da desigualdade racial, da desigualdade na saúde e das alterações climáticas estão enraizadas nos legados da exploração colonial e da extracção de recursos, apelando por isso a uma mudança sistémica.
“A pandemia mostra-nos que a vida e a subsistência das pessoas estão em jogo, numa altura em que a vida da Terra também está ameaçada”, escrevem. “Não só a justiça fiscal está no cerne de qualquer plano de recuperação, como é crucial para mitigar o aumento da desigualdade e para enfrentar os desafios colocados por um clima de aquecimento rápido.”
Uma cópia do texto foi também enviada a Mario Draghi, primeiro-ministro italiano e presidente em exercício do G20; António Guterres, secretário-geral da ONU; Isabelle Durant, secretária-geral das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento; Kristalina Georgieva, directora do Fundo Monetário Internacional; e David Malpass, presidente do Banco Mundial.










