Eunoia, ou boa vontade

Organizações sociais evangélicas criam federação

| 10 Nov 2021

A reunião constitutiva da Eunoia, realizada a 25 de Outubro nos arredores de Lisboa: combate às desigualdades e promoção da justiça entre os objectivos. Foto: Direitos reservados.

 

São já 33 as organizações que aderiram à Eunoia, a nova federação de instituições de acção social na órbita da Aliança Evangélica Portuguesa (AEP), que no próximo sábado assinala o centenário do seu momento fundador. Mas o seu presidente, António Calaím, que é também o responsável máximo da AEP, espera ter em breve meia centena de organizações associadas. 

“Há cerca de uma centena de instituições registadas como trabalhando no âmbito social”, nas igrejas e comunidades evangélicas, diz Calaím, 68 anos, médico de medicina geral e familiar. A Eunoia (palavra grega para “boa vontade”) nasceu no final de Outubro, mas a sua constituição tinha sido anunciada apenas dentro das estruturas da AEP. 

A Eunoia surge no contexto de um país “ainda muito desigual, onde persistem milhares de famílias empobrecidas e muitas pessoas que sofrem injustiças e privações de seus direitos sociais, violações de direitos humanos além de outras injustiças sociais sistémicas e ambientais”, diz a declaração de princípios da nova organização. 

O apoio a seniores (lares ou centros de dia), protecção da infância e de crianças com dificuldades educativas, ajuda alimentar, ajuda aos jovens e apoio a imigrantes, por exemplo, são algumas das áreas em que trabalham as organizações filiadas e que tentam concretizar o combate às desigualdades ou às injustiças enunciadas. “Estamos muito envolvidos com imigrantes – alguns, por tradição, com ligações às igrejas evangélicas e que nelas encontram um porto de abrigo e de apoio à sua integração”, diz Calaím. Há também um conservatório em Braga ou instituições que trabalham com os beneficiários do Rendimento Social de Inserção (RSI). 

Na sua declaração de princípios, a Eunoia define a sua missão como ser a “expressão dos valores do Reino de Deus e da missão de Jesus na sociedade portuguesa”, através do fomento dos valores da justiça, respeito, equidade, bondade e misericórdia por meio da acção social e na defesa dos direitos humanos”. 

Deus não quer desigualdade
pobreza mendigo foto direitos reservados

Os princípios políticos são a “prática da misericórdia e da justiça para a transformação da sociedade, a democracia participativa” e a “inclusão”. Foto: direitos reservados.

 

“Deus preocupa-se com a desigualdade e a injustiça social”, diz ainda o documento orientador, ao justificar com fundamentos bíblicos a criação da Eunoia. “Ele é um Deus justo e compassivo. A Bíblia demonstra isto, de forma contundente, citando inúmeras vezes a vontade de Deus” sobre vários assuntos. E concretiza-se numa vasta lista desses temas: justiça, tortura, prisões, direitos do trabalho, habitação, acesso à água, crueldade, economia, órfãos, pobreza e riqueza, refugiados, agricultura, meio ambiente, saúde individual e pública, alimentação, paz, guerra, ensino, política, fome, guerra, vulnerabilidade, escravatura, violência, pragas e sexualidade, entre outros.

Os princípios políticos, lê-se ainda no documento, são a “prática da misericórdia e da justiça para a transformação da sociedade, a democracia participativa” e a “inclusão”, recusando qualquer instrumentalização partidária. 

Trata-se também de conseguir criar “sinergias”, com o objectivo de testemunhar o Evangelho, diz o presidente da Eunoia. “Chegar a todos, quer os questão mais próximos, quer os que estão mais longe”, assegura. 

Várias das organizações que constituem a nova rede estão já filiadas na CNIS (Confederação Nacional das Instituições De Solidariedade). Mas a Eunoia pretende uma forma mais específica de estabelecer a articulação e a qualificação entre as que se filiam na tradição cristã evangélica, constituindo um espaço de “encorajamento, capacitação, articulação, mobilização, troca de experiências, informação, recursos e tecnologia social”. 

 O facto de passar a constituir uma rede autónoma pode também dar voz a estas organizações e à sua especificidade, acrescenta António Calaím, ele próprio responsável da Associação de Solidariedade Social Ser Alternativa, de Mem Martins (Sintra). Esta organização atende mais de um milhar de pessoas por mês, utentes do RSI ou do Banco Alimentar. 

A Eunoia ainda não tem contas feitas, mas António Calaím calcula que as 33 organizações tenham cerca de um milhar de funcionários e que apoiem várias dezenas de milhar de utentes e pessoas com necessidades específicas. Só a Associação de Beneficência Luso-Alemã, de Carcavelos (Oeiras) tem cerca de 150 funcionários. Uma das suas valências é o apoio a famílias endividadas, explica o presidente da Eunoia. 

A nova federação funda-se ainda numa “compreensão holística e bíblica sobre a missão da Igreja” – aqui entendida como o conjunto dos cristãos, independentemente da sua confissão –, na perspectiva da “missão integral” e na articulação com redes internacionais como a Miqueias, que surgiu precisamente da mesma inspiração. 

O plano de actividades para 2022 prevê, para já, encontros regionais, acções de formação e um congresso nacional.

 

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