Retirando direitos civis e de cidadania

Ortega expulsa 220 presos políticos para os EUA. Bispo Alvarez recusou abandonar o país e foi para a prisão

| 11 Fev 2023

bispo de matagalpa, rolando alvarez, presente a tribunal, a 13 dezembro 2022, foto direitos resrevados

O bispo católico de Matagalpa, Rolando Alvarez, numa audiência em tribunal, no dia 13 de dezembro 2022. A cena irá repetir-se na próxima quarta-feira, 15. Foto: Direitos reservados.

 

O bispo católico nicaraguense Rolando Alvarez recusou ser deportado para os Estados Unidos da América, apesar de figurar na mesma lista de mais de 200 prisioneiros políticos da Nicarágua que o regime repressivo e autoritário de Daniel Ortega destinou ao exílio nesta quinta-feira, 9 de fevereiro.

Depois de, aparentemente, terem sido libertados, só quando chegaram ao aeroporto, conduzidos da prisão de alta segurança em que se encontravam, é que os 200 presos políticos souberam que estavam a ser enviados para um exílio forçado. O ex-candidato presidencial da Nicarágua, Juan Sebastián Chamorro, afirmou que só na entrada do avião é que descobriram o destino, quando os obrigaram a assinar um documento para aceitar a viagem.

A medida, que incluiu cinco padres, um diácono, dois seminaristas e alguns leigos católicos, foi já condenada pelo bispo auxiliar de Manágua, Silvio José Báez, que a considerou um “crime”, apesar de, segundo refere a agência EFE, ele ter manifestado também alegria pela libertação dos prisioneiros.

Segundo a imprensa nicaraguense publicada a partir do exterior do país, quer o bispo Alvarez quer a historiadora, ex-guerrilheira da Frente Sandinista de Libertação Nacional (partido de Ortega) e fundadora do Movimento de Renovação Sandinista, Dora Maria Tellez, encontravam-se incluídos na lista de 222 presos políticos de que o regime de Ortega pretendia ver-se livre. Ambos, porém, recusaram abandonar o país.

O incómodo do ditador ficou patente quando, na tarde do mesmo dia, depois de classificar a atitude do bispo de “soberba”, declarou a uma estação de rádio: “Não compreendo o que pensa esse homem. Disse que não acata uma resolução de um Tribunal de Justiça.”

Segundo relata o site noticioso Infobae, Ortega terá ironizado: “Chegou a La Modelo como um louco. Ele não pode ter a coragem de Cristo que suportou o flagelo e suportou a crucifixão. Está perturbado“.

Já o bispo hondurenho de Canlí, José Antonio Canales, congratulou-se por o seu colega no episcopado querer “continuar a ser uma figura que denuncia, uma figura que está na própria Nicarágua para dizer basta a tanta ignomínia, a tanto ultraje, a tanto descumprimento da Declaração Universal dos Direitos Humanos”.

“Não me surpreende a sua posição, acrescentou, porque é um homem corajoso, que tem a sua posição muito clara. Para o regime é e continua a ser uma pedra no sapato. Neste ponto, eles [Ortega e a vice-presidente, sua esposa] lamentam aquela madrugada quando o capturaram.”

Ainda que as informações que circulam não sejam coincidentes, aparentemente Rolando Álvarez foi forçado a deixar a sua casa, onde se encontrava em regime de prisão domiciliária, na madrugada de quinta-feira, mas recusou-se a embarcar. Perante a situação, as autoridades levaram-no para a Penitenciaria La Modelo, alegadamente como represália.

O governo dos Estados Unidos garantiu, entretanto, que todos os passageiros encaminhados para aquele país, “deram o consentimento voluntário” para a viagem, segundo refere o jornal El Debate.

Vários meios de comunicação, entre os quais o Vatican News, portal de notícias do Vaticano, informaram que os EUA aceitaram dar aqueles cidadãos uma autorização de residência por um período inicial de dois anos. A mesma fonte adianta que os expulsos foram declarados “traidores à pátria”, viram os seus “direitos de cidadania suspensos para sempre” e foram privados da cidadania nicaraguense.

O bispo, que teve e formalmente continua a ter a seu cargo a diocese de Matagalpa e a administração apostólica da de Estelí, tem julgamento marcado para o próximo dia 15 e quer ir ao tribunal defender-se, ainda que saiba que a justiça se encontra ao serviço do regime. Presentemente encontra-se acusado de “conspiração para prejudicar a integridade nacional e propagação de notícias falsas por meio de tecnologias de informação e comunicação em prejuízo do Estado e da sociedade nicaraguense”.

 

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