2025: Concílio de Niceia faz 1700 anos

Ortodoxos e católicos buscam data comum para celebrar a Páscoa

| 21 Nov 2022

papa francisco com patriarca Mar Awa III em nov 2022 foto Vatican Media

O Papa Francisco recebeu este sábado, 19, o patriarca da Igreja Assíria do Oriente, Catolicós Mar Awa III. Foto © Vatican Media.

 

“Decidam (todos) vocês a data e nós aceitaremos.” Foram estas as palavras do Papa Francisco, dirigidas no último sábado, 19, ao patriarca da Igreja Assíria do Oriente, Catolicós Mar Awa III, como gesto em prol de uma celebração da festa da Páscoa em data comum a ortodoxos e católicos.

O pretexto para esse passo poderia acontecer já em 2025, ano em que os calendários litúrgicos dos dois lados fazem coincidir a Páscoa no mesmo dia e também o ano em que se celebrarão os 1700 anos do 1º Concílio de Niceia, reunido na cidade do mesmo nome pelo Imperador Constantino, que presidiu, ainda que não votando.

Foi precisamente no Concílio Ecuménico de Niceia que foi fixada para toda a Igreja (ainda não dividida) a data da Páscoa e definido o primeiro credo que decidiu, contra o arianismo, que Jesus Cristo “nasceu do Pai antes de todos os séculos” e foi “gerado, não criado, consubstancial ao Pai”.

As relações entre a Igreja Católica e a Igreja Assíria do Oriente remontam a pelo menos 1984. Dez anos depois surge a assinatura de uma Declaração Cristológica Comum, que pôs termo a mais de 1500 anos de disputas doutrinais, que tinham o Concílio de Éfeso como pomo de discórdia. Desde essa altura um Comité Teológico Conjunto tem vindo a trabalhar no diálogo entre as duas partes e a visita que o Papa fez ao Iraque, em 2021, foi um momento intenso de aproximação.

A sugestão de uma celebração da Páscoa na mesma data veio através de um convite formulado pelo patriarca Mar Awa III, na audiência com o bispo de Roma. Na resposta, Francisco exprimiu a posição do lado católico: “Agradeço a Vossa Santidade por ter manifestado o desejo de encontrar uma data comum para os cristãos se juntarem na celebração da Páscoa. Quero repetir o que São Paulo VI disse no seu tempo: estamos prontos a aceitar qualquer proposta que seja feita em conjunto.”

O Papa observou ainda que “a jornada da sinodalidade empreendida pela Igreja Católica é e deve ser ecuménica, tal como a jornada ecuménica é sinodal”. “É minha esperança – adiantou – que possamos prosseguir, cada vez mais fraterna e concretamente, os nossos próprios sínodos, a nossa ‘viagem comum’, encontrando-nos, mostrando preocupação uns pelos outros, partilhando as nossas esperanças e lutas e sobretudo, como fizemos esta manhã, a nossa oração e louvor ao Senhor”, afirmou, citado pelo Vatican News, portal de notícias do Vaticano.

E ainda teve tempo para uma tirada humorística: “Tenhamos a coragem de pôr fim a esta divisão que, por vezes, nos faz rir: ‘Quando é que o vosso Cristo ressuscita?’”

 

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