UNICEF apela à solidariedade

Os 13 países onde as crianças mais precisam de ajuda em 2024

| 2 Jan 2024

© Unicef Criança é tratada por desnutrição aguda grave em uma clínica móvel em Herat, no Afeganistão

Criança é tratada por desnutrição aguda grave numa clínica móvel em Herat, no Afeganistão. Foto © UNICEF

 

Do Haiti à Palestina, passando pelo Sudão, pelo Afeganistão ou por Myanmar, chegamos a 2024 com “um número sem precedentes de pessoas a precisar de ajuda”, em particular crianças, assinala a UNICEF – Fundo da ONU para a Infância, nesta terça-feira, 2 de janeiro. A instituição diz ter “capacidade de levar ajuda às crianças em risco e necessitadas”, mas alerta que “a situação de fundos é sombria”, e apresenta a lista das 13 “crises que precisam de mais financiamento para o ano novo”.

 

Afeganistão

Após décadas de conflito, “o Afeganistão tem uma das crises humanitárias mais graves do mundo”, afirma a UNICEF, destacando que as “restrições impostas pelos Talibã contribuíram de forma significativa para o aumento de abusos dos direitos das crianças”. Neste país, uma das prioridades é “atuar para prevenir o colapso do sistema de saúde”, pagando salários e fornecendo suprimentos essenciais a milhares de profissionais de saúde e assegurando o tratamento de crianças em risco de desnutrição.

 

Burkina Faso

Com a disseminação da violência armada, as pressões demográficas, as alterações climáticas e as crises de saúde e nutrição, mais de três milhões de crianças necessitam atualmente de assistência humanitária no Burkina Faso. Neste país africano localizado na região do Sahel, as violações graves contra menores aumentaram 95% no último ano. O apoio da UNICEF tem-se centrado sobretudo no tratamento de menores com desnutrição grave, no fornecimento de materiais educacionais, como kits escolares individuais, e na divulgação de informações sobre onde denunciar situações de exploração e abuso com segurança.

 

Camarões

Conflitos armados, violência intercomunitária, influxo de refugiados de países vizinhos, surtos de doenças, incluindo cólera e sarampo, e inundações sazonais, são alguns dos principais desafios que os Camarões enfrentam. Mais de um terço da população vive abaixo do limiar de pobreza e as situações de desnutrição são cada vez mais frequentes. A UNICEF tem apoiado a triagem de crianças até aos cinco anos para garantir a deteção precoce e o tratamento da desnutrição nestes casos. O fundo da ONU está também a trabalhar com parceiros locais para garantir acesso à educação a crianças que deixaram a escola.

 

República Centro-Africana

“A República Centro-Africana é considerada um dos lugares mais difíceis do mundo para crianças”, alerta a UNICEF. Centenas de escolas não estão operacionais devido à insegurança, o que deixa as crianças “ainda mais vulneráveis à exploração e à violência”. E mesmo os locais e instituições aos quais as crianças normalmente recorrem para proteção e apoio “estão a ser atacados por grupos armados”, denuncia a organização. A crise neste país está a ser agravada pelo conflito crescente no Sudão e pelo fluxo de requerentes de asilo e retornados do vizinho Chade.

 

Chade

Os deslocamentos causados por conflitos, a crise de nutrição, os desastres naturais resultantes das alterações climáticas, as epidemias, a pobreza e instabilidade da transição política já haviam deixado inúmeras famílias no Chade em dificuldades. Mas um influxo de refugiados do vizinho Sudão  criou uma situação ainda mais volátil, pois “os recursos já limitados estão a tornar-se cada vez mais escassos”.

Ao Chade, a UNICEF quer continuar a levar ajuda de prevenção e tratamento de desnutrição, campanhas de imunização, apoio psicossocial em espaços amigáveis para crianças e grupos de partilha comunitária. A agência da ONU está também a ajudar famílias vulneráveis a obter acesso a água potável segura, nomeadamente através da construção de poços com energia solar e resistentes às intempéries.

 

República Democrática do Congo

© UNHCRBlaise Sanyila Pessoas que fugiram de conflitos e violência em North Kivu buscam refúgio em Rusayo, na República Democrática do Congo.

Famílias que fugiram dos conflitos e violência no Kivu do Norte procuram refúgio em Rusayo, na República Democrática do Congo. Foto © UNHCR/Blaise Sanyila 

 

O aumento dos conflitos e da violência e a aproximação dos grupos armados às comunidades, com o consequente encerramento de muitas escolas no leste do país, estão a levar a um “aumento alarmante nos casos de morte, mutilação e sequestro de crianças”, bem como do casamento precoce. Ao todo, quase cinco milhões de pessoas estão a precisar de assistência humanitária na República Democrática do Congo, alerta a UNICEF.

 

Etiópia

Conflitos, seca severa, cheias, violência intercomunitária e surtos de doenças deixaram mais de 30 milhões de pessoas na Etiópia a precisar de assistência humanitária. Destas, mais de metade são crianças.

A UNICEF tem estado a fornecer apoio para tratamento de menores com desnutrição aguda grave e outros serviços de saúde essenciais, e a criar espaços seguros para crianças deslocadas, onde estas possam brincar e ser protegidas de danos.

 

Haiti

No Haiti, há uma “combinação letal” de instabilidade política, agitação civil, crescente violência armada, pobreza extrema e desastres naturais. “Crianças são feridas ou mortas no fogo cruzado dos confrontos, algumas até a caminho da escola. Outras são recrutadas à força ou juntam-se a grupos armados por puro desespero”, lamenta a UNICEF.

Além disso, o acesso a água potável segura é limitado, assim como aos alimentos e serviços básicos de educação e saúde. “O ressurgimento do cólera e da desnutrição está a levar as crianças e as suas famílias ao ponto de rutura”, alerta a organização.

Apesar do ambiente extremamente inseguro e volátil, a UNICEF tem continuado a trabalhar para protegê-las. “A atuação inclui apoio a serviços de nutrição e saúde, resposta ao surto de cólera, promoção de ambientes seguros de aprendizagem, fornecimento de apoio psicossocial e assistência na recuperação e preparação para desastres”, adianta o fundo da ONU.

 

Myanmar

Também em Myanmar o conflito generalizado continua a ter um forte impacto nas crianças e suas famílias. De acordo com a UNICEF, “atos contra escolas e hospitais continuam a colocar crianças e mulheres em maior risco de violência, exploração e abuso” e “milhões de jovens foram privados do direito à educação pela falta de segurança”.

Em 2023, a UNICEF apoiou em particular as famílias afetadas pelo Ciclone Mocha, um dos mais fortes já registados em Myanmar, no passado mês de maio.

 

Somália

Uma forte seca seguida de cheias induzidas pelo El Niño, o deslocamento das populações, os conflitos em curso e os elevados preços dos alimentos deixaram milhões de crianças na Somália a precisar de assistência urgente.

A UNICEF tem apostado nos “serviços de tratamento que salvam vidas para desnutrição grave” e no fornecimento de serviços de água e saneamento às comunidades deslocadas e vulneráveis.

 

Sudão do Sul

É o país mais jovem do mundo e desde a sua criação, em 2011, que enfrenta múltiplos desafios, incluindo conflitos, inundações, surtos de doenças e insegurança alimentar.

A situação das famílias do país foi agravada pela crise no vizinho Sudão, que provocou um influxo de refugiados e retornados na fronteira entre os países.

Há milhões de crianças fora da escola no Sudão do Sul, o que tem levado a UNICEF a tentar fortalecer o acesso à educação de qualidade para crianças, treinando professores, construindo e reabilitando salas de aula, fornecendo materiais de ensino e aprendizagem e organizando campanhas de regresso às aulas.

A organização apoia também diversos serviços de saúde, incluindo a vacinação de crianças menores de seis anos contra o sarampo.

 

Palestina

© UnicefAbed Zagout Pessoas clamam por comida na cidade de Rafah, no sul da Faixa de Gaza

Pessoas clamam por comida na cidade de Rafah, no sul da Faixa de Gaza. Foto © UNICEF/Abed Zagout 

 

“Mesmo antes da escalada da violência em outubro de 2023, as crianças no Estado da Palestina cresceram sob a sombra de violência e pobreza”, assinala a UNICEF. “Mas a violência na Faixa de Gaza no final de 2023 teve um impacto catastrófico sobre crianças e famílias”, acrescenta.

Porque as “famílias foram deixadas com acesso inadequado a água, comida, combustível e remédios”, a organização tomou como prioritárias as áreas do saneamento e saúde. Mas também tem procurado desenvolver atividades recreativas e educacionais para as crianças afetadas pelo conflito.

 

Sudão

O surto de conflitos no Sudão em 2023 criou uma das maiores crises de deslocamento infantil do mundo, denuncia a UNICEF.  Mais de três milhões de crianças foram forçadas a fugir da violência generalizada em busca de segurança, comida, abrigo e cuidados de saúde.

Se mesmo antes do conflito as necessidades humanitárias em todo o Sudão já haviam batido recordes, à medida que os confrontos se intensificaram em 2023 “a situação já considerada terrível atingiu níveis catastróficos”.

O acesso a comida, água potável, eletricidade e telecomunicações é instável e inacessível, mas “apesar de desafios significativos, a UNICEF e parceiros alcançaram milhões de crianças e famílias com cuidados de saúde e nutrição salvadores de vida, água potável segura e apoio psicossocial, aprendizagem e proteção”.

 

Após um ano “marcado por múltiplas crises e emergências”, ficaram fora da lista outras situações não menos preocupantes, ressalva a UNICEF, recordando o conflito na Síria – que se arrasta há 12 anos, com sete milhões de crianças a necessitar de ajuda -, ou os oito anos de conflito no Iémen, que já afetou 11 milhões de crianças, e a guerra na Ucrânia, onde 6,3 milhões de crianças continuam também a precisar de ajuda humanitária.

Ao todo, a UNICEF pretende alcançar em 2024 aproximadamente 147 milhões de pessoas, em 155 países, apelando para isso a um financiamento de 8,5 mil milhões de euros.

 

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