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autores - Phyllis Zagano (1)

[Entre Margens]

Os bispos católicos dos EUA falaram contra o racismo. E em defesa das mulheres?

| 09/03/2026

Será que os bispos estão intimidados pela falsa noção de que as mulheres não são a imagem de Cristo?

 

Depois de um vídeo que retratava o ex-Presidente Barack Obama e a ex-primeira-dama Michelle Obama como macacos ter sido publicado na conta do Presidente Donald Trump no Truth Social dia 6 de fevereiro, o cardeal Blase Cupich, de Chicago, e o arcebispo Edward Weisenburger, de Detroit, levantaram-se e criticaram Trump. A sua justa indignação juntou-se a um coro bipartidário de apupos de autoridades eleitas, que ficaram constrangidas e horrorizadas com as tentativas da Casa Branca de minimizar a exibição racista e com a recusa de Trump em pedir desculpas por isso.

Embora a publicação ofensiva tenha sido retirada 12 horas após ter sido publicada, isso apenas reforçou a impressão de que o racismo permeia as políticas trumpianas, desde o perfil racial presente na repressão à imigração do Departamento de Segurança Interna até comentários vindos do círculo íntimo de Trump sobre os «americanos» terem mais filhos. O nacionalismo cristão branco espalhou os seus tentáculos horríveis por quase todas as partes do governo dos EUA e está a crescer.

Eles também não têm muito respeito pelas mulheres. O mundo viu, ou pelo menos ouviu, a atitude de Trump em relação às mulheres em 2016, quando a infame gravação da «Access Hollywood» o apanhou a gabar-se de que beijaria as jovens que conhecesse em breve, porque «quando se é uma estrela, elas deixam-no fazer isso. Pode-se fazer qualquer coisa… Agarre-as pela rata. Pode fazer o que quiser.» O candidato Trump pediu desculpas – naquela ocasião.

Desde então, a sua misoginia característica tem sido exibida em conferências de imprensa formais, conversas em aviões e até mesmo no seu apoio ao programa alternativo do intervalo do Super Bowl LX da Turning Point USA, com Kid Rock, cujo rap «Cool, Daddy Cool» inclui a letra: «Jovens, jovens, eu gosto delas menores de idade/Veja, alguns dizem que é ilegal/Mas eu digo que é obrigatório.» Embora o rapper envelhecido tenha poupado o público a essa música, a sua inclusão [no espectáculo] foi problemática.

Bad Bunny, o artista porto-riquenho cuja aparição no intervalo da NFL [National Football League] motivou a alternativa da Turning Point USA, condenou a violência contra as mulheres, mais notoriamente ao aceitar um Billboard Music Award de 2020. O seu perfil é tão positivo que, no sermão de Ronald Hicks, durante a sua posse como novo arcebispo de Nova Iorque, ele citou com aprovação as letras de Bad Bunny.

Ainda assim, no intervalo da NFL, Bad Bunny estava rodeado por mulheres visivelmente jovens e com roupas escassas. Juntamente com os seus passos de dança provocantes, a sua atuação foi uma demonstração de machismo global.

Os bispos dos EUA têm denunciado, com razão, as injustiças relacionadas com a imigração e falado em nome dos pobres, mas já ouviu algum bispo defender as mulheres contra Kid Rock, Trump ou Bad Bunny?

Será que eles se submetem à falsa noção de que as mulheres não são imagem de Cristo? Essa afirmação tem origem na antiga heresia do arianismo, que ensinava que Jesus foi criado exclusivamente como homem. Portanto, como Jesus só existiu na história como homem, a mulher não pode «representar Cristo».

Mulher a rezar na catedral de Colónia (Alemanha): “As mulheres não são imagem de Cristo? Essa afirmação tem origem na antiga heresia do arianismo…” Foto © KNA/Theodor Bart

O cristianismo opõe-se a esse argumento em duas direções. Primeiro, a doutrina da Trindade apresenta Jesus como um membro co-igual. Segundo, os ensinamentos sobre a ressurreição de Cristo apresentam-no como presente no mundo, em todas as pessoas.

Isso incluiria as mulheres.

Infelizmente, muitos hierarcas estão presos na bolha clerical exclusivamente masculina. Eles aceitam relutantemente as mulheres como gestoras, mas traçam uma linha no ministério. Esse é o cerne das queixas que as mulheres têm apresentado há incontáveis anos. Agora, à medida que alguns bispos se levantam para defender os negros, os migrantes e os pobres, será que eles vão acrescentar a defesa da plena humanidade das mulheres aos seus ensinamentos evangélicos? Só nos resta esperar que sim.

 

Phyllis Zagano integrou a Comissão para o Estudo do Diaconado das Mulheres (2016-2018). É investigadora na Universidade de Hofstra, Hempstead, Nova Iorque, e o seu livro mais recente é Just Church: Catholic Social Teaching, Synodality, and Women (Paulist, 2023) [Igreja justa: ensino social católico, sinodalidade e mulheres]. Este texto foi inicialmente publicado no Religion News Service https://religionnews.com/2026/02/11/the-us-catholic-bishops-have-spoken-out-about-racism-have-they-spoken-up-for-women/ e é aqui reproduzido por cedência da autora e daquela publicação ao 7MARGENS.

 

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