Os Dias da Semana – Socorrer urgentemente Cabo Delgado

| 19 Abr 2021

Amnistia, Cabo Delgado, refugiados, Moçambique

Em Cabo Delgado, os tempos são de sofrimento. Foto © Amnistia Internacional

 

Moçambique tem um amplo destaque na primeira página da edição de hoje e de amanhã do diário francês Le Monde, por causa dos ataques mortais de jihadistas à cidade de Palma e da instabilidade na província de Cabo Delgado, qualificada como “antigo canto do paraíso”. No interior, as páginas 16, 17 e 18 são integralmente dedicadas ao que se passa na região entalada entre “as ambições da indústria do gás e a pressão jihadista”. Os mapas que ocupam toda a página 18 esclarecem o leitor que as segundas mais importantes reservas de gás de África se situam em Moçambique. Outro mapa apresenta o país na rota da heroína. Entre as riquezas naturais e a violência islamista, há abundantes marcações dos percursos dos deslocados internos, cerca de 700 mil, segundo várias estimativas.

O jornal francês, na sexta-feira, tinha dado conta de confrontos que ocorreram, no dia anterior, na cidade de Palma, três semanas depois do ataque jihadista que provocou dezenas de mortos e milhares de deslocados. Simultaneamente, teriam sido realizados outros ataques. Em alguma imprensa portuguesa que se costuma designar como “de referência” o assunto é de reduzido interesse. Folheando as páginas das secções que tratam de assuntos do estrangeiro, fica-se a perceber que um ferido num confronto nos Estados Unidos da América é um assunto de relevo, mas não os milhares de mortos num país africano, incapazes de mobilizarem as atenções.

E, todavia, não falta quem se preocupe com o que se está a passar. Questionado sobre como vê a situação em Cabo Delgado, o padre Jorge Vilaça, do Centro Missionário Arquidiocesano de Braga, sintetiza o que muitos sentem: “Com angústia diária, alguma impaciência e impotência e com um coração que faz mexer as mãos, os pés e a voz. Sabemos que ‘quando os elefantes lutam, quem sofre é o capim [erva]’ e, por isso, estamos comprometidos com a libertação de todas as formas de pobreza, raiz primeira e última daquele conflito. O capim não tem culpa pela luta dos elefantes mas sofre pela violência das suas lutas. E, para alguns elefantes, a pobreza sempre deu muito dinheiro“. “Assusta viver assim”, diz Abudo Gafuro, presidente da Associação Kuendeleya. Acrescenta ele que “todos os dias se vive uma incerteza dolorosa, sobretudo por falta de segurança e de respostas eficazes aos terroristas”.

Em Cabo Delgado, há diversas organizações a tentar minorar o sofrimento humano, não unicamente provocado pelo terror jihadista. A Associação Kuendeleya, o Centro Missionário Arquidiocesano de Braga, a Fundação Ajuda à Igreja que Sofre, a Helpo ou a Oikos têm procurado ajudar, umas vezes, tratando de acorrer a emergências; outras, promovendo projectos que não visam resultados imediatos. Ajudar estas associações, organizações ou entidades é um modo de ajudar os moçambicanos mais carenciados.

Mas a ajuda pode assumir outros contornos. Da capital de Cabo Delgado, Pemba, que tem uma relação que se foi estreitando com Braga desde 2003, Abudo Gafuro, um jovem muçulmano que transformou uma equipa de futebol amador de praia numa associação de acolhimento de deslocados – e ele próprio aloja na sua casa 14 deslocados –, envia uma mensagem clara: “Os portugueses têm o dever, como um povo irmão, de ajudar Cabo Delgado e o país em geral, contra a sua pobreza cultural, formativa, alimentar. E na questão de segurança, pois é necessário responder-lhe imediatamente como a população pretende. Em minha opinião, ainda não vi algum país conseguir resolver o problema de terrorismo sozinho. Os militares portugueses são experientes e muito rápidos nos resgates, fazem-nos falta. É por aí, vejo como uma prioridade a ajuda militar como uma estratégia para poder combater o terrorismo tão violento no norte de Moçambique. Estamos em riscos de o terrorismo chegar em atentados à numerosa Pemba, caso não haja uma intervenção imediata a contê-lo.”

Cabo Delgado tem de merecer outra atenção, que ultrapasse a indiferença, particularmente a do presidente de Moçambique. Por isso, como refere o padre Jorge Vilaça, citando D. Luiz Fernando Lisboa, ex-bispo de Pemba, há três formas permanentes de ajuda: através da oração, da partilha de vida e de bens e, importa sublinhá-lo, “falando do assunto, mantendo-o na ordem do dia das agendas sociais e políticas”.

 

Nota: por informação do padre Jorge Vilaça, soube que a Rádio Sem Fronteiras, da Diocese de Pemba, recomeçou as transmissões online em https://radiosemfronteiras.co.mz

 

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