“Dois Papas”: um filme sobre a transição na Igreja Católica

| 1 Dez 19

As personagens do Papa Francisco (Jonathan Pryce) e do Papa emérito Bento XVI (Anthony Hopkins) numa cena do filme “Dois Papas”

 

Dois Papas é um filme do realizador brasileiro Fernando Meirelles (A CIdade de Deus) que, através de uma conversa imaginada, traduz a necessidade universal de tolerância e, mesmo sendo fantasiado, o retrato das duas figuras mais destacadas da história contemporânea da Igreja Católica. O filme, exclusivo no Netflix, retrata uma série de encontros entre o, à altura, cardeal Jorge Bergoglio (interpretado por Jonathan Pryce) e o atual Papa emérito Bento XVI (interpretado por Anthony Hopkins).

Baseado num livro do autor neo-zelandês Anthony McCarten, o filme retrata os momentos finais do papado de Bento XVI, depois de uma série de documentos confidenciais da Igreja Católica terem sido divulgados pela imprensa, agravando o mal-estar na instituição. No meio do escândalo, Bento XVI tem de tomar uma decisão de forma a assegurar a integridade da Igreja. Enquanto tudo está a acontecer, Bergoglio vai a Roma, a pedido de Bento XVI. O cardeal, à época com 75 anos, sentia que não seria capaz de continuar no cargo de arcebispo de Buenos Aires (Argentina), sendo sua intenção, durante a visita a Roma, entregar a sua carta de resignação.

O filme, que o National Catholic Reporter já viu e antecipou, dramatiza e acrescenta alguns acontecimentos que decorreram durante a resignação de Bento XVI e a eleição de Francisco no conclave de 2013, pretendendo mostrar a necessidade da tolerância e do debate sobre diferentes perspectivas. Durante o filme, Bento XVI revela uma certa antipatia diante da interpretação de proximidade que Bergoglio tem da Igreja (como o gosto do futuro Papa por futebol), que contrasta com a experiência mais austera do ministério de Bento XVI.

 

O lado humano de Bento XVI

Com a passagem do tempo, Bento XVI entende que quem pode sucedê-lo num momento grave da história da Igreja Católica é um Papa que seja próximo dos crentes. Bergoglio, em parte, também tem reservas em relação à resignação de Bento XVI, considerando que será uma decisão que afetará em muito o futuro da Igreja. Mas, para Bento XVI, não faz sentido continuar o ministério papal sem ter forças e saúde para tal. Ao mesmo tempo, a decisão é motivada pelo desejo de não sofrer como o Papa João Paulo II sofreu até ao fim do seu papado, por questões de saúde.

O filme mostra ainda uma certa proximidade entre os dois, sempre de acordo com o NCR. Há momentos de partilha, como os dois a comer uma pizza ou Bento XVI a mostrar os seus dotes no piano. A ação, que decorre na residência de Verão dos papas, em Castel Gandolfo, também mostra interações com o jardineiro da casa, com Bento XVI a dizer que é bom fazer o que se gosta. Quando Bergoglio pergunta o que Bento gosta de fazer, o Papa Ratzinger diz: “Cada vez que faço algo que considero bom, as pessoas costumam odiar-me.”

A produção do filme faz uso dinâmico de cenários como o teto da Capela Sistina, como forma de apresentar a narrativa de uma forma mais visual. O trailer pode ser visto a seguir. 

 

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