Políticos no Fórum do Kaiciid

Os euros de Matteo Renzi para a cultura e as traições à pátria segundo Santos Silva

e | 16 Mai 2024

Abertura do Fórum: o mufti do Egipto, Augusto Santos Silva, o Patriarca Bartolomeu, Zuhair Alharti, Matteo Renzi, o imã de Meca e Carlos Moedas: por cada euro para a segurança, um euro para a cultura, disse o antigo primeiro-ministro italiano. Foto © Kaiciid. 

Perante as afirmações de vontade de diálogo entre líderes religiosos, como se situam os políticos? Matteo Renzi, primeiro-ministro italiano entre 2014 e 2016, começou por fazer várias perguntas, na sua intervenção na sessão de abertura do Fórum Global de Diálogo, promovido pelo Kaiciid em Lisboa: “No tempo do mundo, há lugar para o diálogo? No tempo da inteligência artificial, há lugar para a religião? No tempo das redes sociais, há lugar para a cultura? Claro que sim. Não só há lugar, como precisamos de lugares de oportunidades de diálogo sobre esses pontos, porque esse é o futuro, não o passado do mundo.”

O futuro, acrescentou Renzi, passa pela cultura, que “não deveria ser a última” opção política. A propósito, referiu a sua decisão, enquanto presidente da câmara de Florença, de destinar as mesmas verbas para a cultura e a segurança: “Por cada euro para a segurança, havia um euro para a cultura.” Uma lógica, defendeu, semelhante à que a cidade vivera no Renascimento, quando a cidade estava em guerra e, apesar disso, o escultor e ourives Lorenzo Ghiberti e o seu filho Vittore esculpiram a Porta do Paraíso no Baptistério de Florença. “Uma das obras-primas do Renascimento”, comentou Renzi. “Devemos dar a mesma atenção ao diálogo que dedicamos à geopolítica”, acrescentou.

Carlos Moedas, presidente da Câmara de Lisboa, lembrou a presença do Papa Francisco em Lisboa, em Agosto, para afirmar que a mensagem “todos, todos, todos” está “no coração das religiões”. E citou o rabi judeu Jonathan Sacks, para afirmar: “Quando contas a tua história, a tua identidade é forte e podes acolher” o estrangeiro; “quando omites a tua história a identidade é fraca e sentes-te ameaçado.” O antigo Presidente francês, François Hollande, pediu aos religiosos que “sejam exemplos de unidade” e em ideias semelhantes insistiu Heinz Fischer, ex-Presidente austríaco.

Augusto Santos Silva, ex-presidente da Assembleia da República, disse que falava a partir de um ponto de vista laico e secular sobre a “importância das religiões”. Falando dos conflitos que se multiplicam, referiu-se à Arménia e Azerbaijão e sublinhou que “as nossas diferenças enriquecem o mundo”. Aos jornalistas, Santos Silva condenou a “justificação do discurso de ódio” como “uma das coisas mais anti-patrióticas, porque a pátria portuguesa não é isso, é uma pátria habituada há séculos aos que saem e aos que entram”, de proveniência “variada” e de influências diversificadas – cristã, judaica, muçulmana, romana… “Quem quer dividir-nos, quem quer que nos odiemos uns aos outros, quem quer que nós sejamos intolerantes uns com os outros, esse está a pôr em perigo o essencial da pátria portuguesa.”

Perante alguns discursos que se tinham acabado de ouvir na sessão de abertura, o agora de novo professor da Universidade do Porto afirmou que o diálogo inter-religioso também se enriquece no diálogo das religiões com a cultura humanista europeia, que se afastou de qualquer tentação teocrática. “Estas sessões são muito importantes, mas são a parte mais fácil do nosso trabalho. A parte mais difícil é que façamos o que dizemos, pratiquemos o que pregamos. E que estejamos também atentos a todos aqueles que prostituem as palavras: dizem palavras que sabemos que depois não correspondem aos seus actos.”

 

O vídeo das sessões plenárias do primeiro dia de trabalhos do Fórum pode ser visto no canal YouTube do Kaiciid:

 

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