Cerimónia da entrega do Nobel da Paz

Os factos contra a violência, o ódio e a desinformação

| 10 Dez 2021

premio nobel paz 2021 foto c Divulgação Prémio Nobel Geir Anders Rybakkken Orslien

A jornalista filipina Maria Ressa e o jornalista russo Dmitry Muratov (segundo e terceira a contar da esquerda), antes da cerimónia de entrega do Prémio Nobel da Paz. Foto © Divulgação Prémio Nobel/Geir Anders Rybakkken Orslien.

 

A principal tarefa que os jornalistas e os democratas têm hoje pela frente é subverter o ódio e a violência que “percorre o ecossistema da informação”, afirmou a jornalista filipina Maria Ressa na cerimónia de entrega do Prémio Nobel da Paz 2021 que decorreu nesta sexta-feira, 10 de dezembro, em Oslo.

“Os ataques contra nós no Rappler [o portal de notícias de que é cofundadora] começaram há cinco anos, quando exigimos o fim da impunidade em duas frentes: na guerra às drogas de [Rodrigo] Duterte [Presidente filipino] e no Facebook de Mark Zuckerberg” – afirmou a jornalista após ter recordado os jornalistas e advogados assassinados, presos e obrigados ao exílio nos últimos anos nos países do Sudeste Asiático.

Ressa foi tão crítica da violência política quanto do que se passa nas redes sociais, acusando as “empresas americanas de internet que ganham mais dinheiro espalhando ódio e desencadeando o que há de pior em nós”.

Num discurso que pode ser lido em inglês na página do Nobel, a jornalista sublinhou: “O Facebook é o maior distribuidor de notícias do mundo, mas os estudos têm mostrado que nas redes sociais se espalham mentiras de raiva e ódio de modo mais veloz e mais universal do que factos. As empresas americanas que controlam o nosso ecossistema global de informações são tendenciosas perante os factos e preconceituosas quanto aos jornalistas. Elas procuram – pela sua natureza – dividir-nos e radicalizar-nos.”

Ressa recordou que “a última vez que um jornalista em atividade recebeu este prémio foi em 1936, mas Carl von Ossietzky nunca veio a Oslo porque morreu num campo de concentração nazi” para concluir que a atribuição do Nobel da Paz a dois jornalistas “sinaliza um momento histórico semelhante, um ponto crítico para a democracia. Dmitry [Muratov, o outro jornalista premiado] e eu temos sorte porque podemos falar aqui e agora, mas há muitos jornalistas perseguidos na sombra, sem exposição nem apoio, e os governos redobram a sua repressão com total impunidade.”

O outro laureado deste ano, o jornalista russo Dmitry Muratov, citou a frase “a paz, o progresso e os direitos humanos – estes três objetivos estão indissoluvelmente ligados uns aos outros” do discurso que um outro russo, também ele Prémio Nobel da Paz, Andrei Sakharov, gostaria de ter lido em dezembro de 1975, ano em que o Nobel lhe foi atribuído, mas que por ter sido impedido de sair da URSS foi lido pela sua mulher, Elena Bonner. Muratov juntou ao discurso de Sakharov a sua visão: “O mundo deixou de amar a democracia. O mundo começou a olhar a elite no poder com desencanto. O mundo começou a pender para a ditadura. Temos a ilusão de que o progresso pode ser alcançado por meio da tecnologia e da violência, não através dos direitos humanos e da liberdade.”

Para Muratov, “o jornalismo na Rússia está a passar por um vale escuro. Mais de 100 jornalistas, meios de comunicação, defensores dos direitos humanos e ONG foram recentemente rotulados como ‘agentes estrangeiros’. Na Rússia, isso significa ‘inimigos do povo’. Muitos jornalistas perderam os seus empregos. Alguns estão a ser obrigados a deixar o país.”

Mas para que serve o jornalismo? – pergunta o jornalista. E responde: “Existe para testemunhar. Provar. Para ver com seus próprios olhos. Porque, como disse o grande fotógrafo de guerra Robert Capa: ‘Se a tua fotografia não é suficientemente boa é porque não estás suficientemente perto’.  Esta é a missão dos jornalistas” – disse Muratov, para quem “enquanto os governos melhoram continuamente o passado, os jornalistas tentam melhorar o futuro.”

(A cerimónia de entrega do Nobel da Paz pode ser vista na íntegra no vídeo a seguir)

 

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