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Grande Sinagoga. Jerusalém. Judaísmo

Os judeus entram em 5781 confinados por uma “força imparável”

| 20/09/2020

Grande Sinagoga. Jerusalém

Grande Sinagoga. Jerusalém. Foto © MartinVMtl/ Wikipedia

 

Um rabi judeu fala de uma “força imparável”. O coronavírus levou a um novo confinamento em Israel, que apanha o período das duas mais importantes festas do calendário judaico. O ano de 5781 da criação do homem começa com nova quarentena e mais limitações.

 

A Grande Sinagoga de Jerusalém está fechada pela primeira vez na sua história de mais de seis décadas, neste que é o início das festas de Rosh HaShanah, o Ano Novo judaico, que se assinala desde sexta-feira e culmina com o Yom Kipur (dia da Expiação), no próximo dia 28 (dia 10 do mês de Tishrei, no calendário judaico).

Em Israel, os judeus entram no ano de 5781 da criação do homem numa situação de quarentena severa. Domingo passado, os responsáveis da Grande Sinagoga alertaram para o risco de contágio do novo coronavírus, perante um surto alarmante de novos casos de covid-19, conta o Jewish News.

Tomar a decisão de encerrar não terá sido fácil: “A consideração decisiva foi a segurança pessoal de cada um”, diz a declaração pública. “Mesmo que mantenhamos estas [regras de confinamento], ainda existe um risco. Uma pessoa comete um erro; uma pessoa é positiva [para o coronavírus] e não sabia; uma pessoa que pode infectar outra. A Grande Sinagoga quer evitar este risco de cada um de vós” se poder contagiar, diz o comunicado.

A sinagoga, inaugurada em 1958 no edifício Heichal Shlomo (na altura, a sede do Rabinato-Chefe de Israel), tem 850 lugares para homens e 550 para mulheres. Com o aumento do número de pessoas que a frequentavam, foi construída uma sinagoga maior ao lado, usando o estilo do Templo de Jerusalém, e que foi dedicada como espaço de oração em 1982. Por ela já passaram rabinos-chefes, presidentes israelitas, primeiros-ministros, membros do Knesset (Parlamento) e juízes, bem como muitas turistas que a visitam sobretudo às sextas-feiras para ouvir o cantor e o coro.

Perante o anúncio de novas medidas tomadas pelo Governo, que prevê uma quarentena de três semanas (coincidindo com as festas principais do calendário judaico), a Grande Sinagoga viu-se na contingência de encerrar também.

 

“A rapidez com que o mundo pode mudar”

O shofar ritual terá de ser tapado com máscara cirúrgica ou nem sequer será soará. Foto © Zachi Evenor/Wikimedia Commons

 

“Se aprendemos alguma coisa este ano, parece ser sobre a rapidez com que o mundo pode mudar completamente e a nossa vontade de agir como se nada tivesse mudado. O poder do agora versus a força do hábito. Esta é a velha questão: o que acontece quando uma força imparável encontra um objecto imóvel?”, escreve o rabi Yehoshua Ellis, emissário em Varsóvia (Polónia) da Shavei Israel, organização que se dedica às pessoas de ascendência judaica que perderam a ligação ao judaísmo por razões históricas, de distância ou outras. A organização tem neste momento como um dos seus principais responsáveis o rabi Elisha Salas, que foi já rabi da comunidade judaica de Belmonte.

“Adaptar-nos-emos e cresceremos para responder aos desafios do ano passado e do ano seguinte, mantendo a nossa tradição e carácter”, escreve ainda Yehoshua Ellis, sobre o sentido das festas judaicas destes dias.

“Deus está a conduzir-nos através deste labirinto de oportunidades e incerteza; essa é a sua parte do acordo. Em Rosh Hashanah, temos a oportunidade de nos unirmos humildemente com Deus para traçar juntos um caminho a seguir, um caminho que dará sentido às nossas vidas e trará alegria.”

Mas por todo o lado as limitações geradas pela pandemia podem pôr em causa vários destes sentimentos. Em França, o presidente do Consistório Central de Judeus e o Rabino Chefe do país apelaram aos fiéis para redobrarem as suas precauções contra o contágio da covid: “Enviámos instruções muito, muito rigorosas a todos os rabinos e a todos os presidentes de comunidades, com instruções igualmente rigorosas para os fiéis”, disse à agência France Presse (AFP) Haim Korsia, rabino-chefe de França.

Entre as medidas recomendadas, estão o registo obrigatório para participar nas orações, o desdobramento dos serviços de oração, o reforço do distanciamento físico, a desinfecção das sinagogas ou a proibição de tocar em objectos de culto ou mobiliário, conta o Le Point.

É também “recomendado” que os crentes se submetam a testes de covid, bem como a colocação de uma máscara cirúrgica no shofar (o corno de carneiro utilizado durante o ritual) para limitar o risco de emissão de gotas de saliva.

Vários rabis também já garantiram a oferta de tempos de oração em vídeo, através dos vários canais possíveis.

“Estes não são os feriados que esperávamos”, disse ao New York Times o rabino Kenneth Brander, presidente do Ohr Torah Stone, um grupo educativo judeu com emissários em todo o mundo. “A fragilidade da vida está sobre nós, mas vejo pessoas a desprezar o que se passa.”

A Páscoa judaica, a Páscoa cristã e o Ramadão dos muçulmanos foram já festejadas, este ano, em pleno período de quarentena por causa da pandemia.

 

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