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Os Perdigotos; Jovens, Férias, Campos de Férias,

“Os Perdigotos”: aprender a fé em campos de férias

São jovens. Alentejanas e católicas. Decidiram criar um campo de férias para crianças do Alentejo para lhes mostrar uma visão diferente da fé. Nasceu a associação “Os Perdigotos”.

Os Perdigotos; Jovens, Férias, Campos de Férias,

“Os Perdigotos nasceram para mostrar uma visão diferente da fé aos jovens do Alentejo.” Foto: Direitos reservados.

 

A iniciativa foi de duas alentejanas, Ana Bettencourt e Mariana Medeiro, uma de Beja e outra de Serpa. “Sabíamos que já existiam bastantes grupos que realizavam este tipo de campos de férias católicos, e já tínhamos participado em peregrinações com esses grupos, mas não havia nenhum na nossa região.”

Organizaram-se e, em setembro de 2017, abriram inscrições para o primeiro campo, em Mértola. “Os Perdigotos nasceram pela vontade de mostrar uma visão diferente da fé aos jovens do Alentejo”, dizem. “Em semanas tão intensas como as dos campos de férias, é mais fácil mostrar-lhes que Deus está, de facto, presente em todos os momentos da nossa vida”.

Nestes campos há tempo para tudo. “Tempo para viver, para ser, sorrir, rezar, animar, relaxar, tempo para o silêncio… um campo onde Jesus se manifesta tanto na alegria e animação das violas, como no entusiasmo dos jogos com água e lama, ou mesmo na meditação do Terço ao final do dia!”, contam as suas organizadoras. “O nosso objetivo é mostrar aos jovens que Jesus está presente em todos eles e que, se nos guiarmos pelo seu exemplo, seremos infinitamente mais felizes e fonte de amor e alegria à nossa volta.”

 

A responsabilidade do exemplo

À frente dos campos de férias, que decorrem na primeira semana de setembro, de domingo a sábado, há dois diretores, 14 animadores, três “tias” de campo (responsáveis pela confeção das refeições) e um padre. Em conversa com Ana e Mariana, o padre jesuíta Alberto Brito, que acompanhou o primeiro campo, disse-lhes: “Por muito que vocês saibam da vida de Jesus e por muito bem que vocês saibam dar catequeses, o vosso exemplo de vida nas coisas mais pequenas vai ser o mais importante para aqueles miúdos!”

É essa responsabilidade que ambas sentem no contacto com as crianças e jovens, com os quais se continuam a relacionar depois, já que vivem nas mesmas cidades e já se conhecem fora daquela semana. “E isso é o mais bonito! Pois podemos considerar a semana de campo como uma semana de treinos.”

No primeiro ano, foi complicado encontrar quem se quisesse inscrever. “Provavelmente assustaram-se com o título campo de férias católico”, dizem as suas fundadoras. Mesmo assim, receberam 33 inscrições de miúdos entre os 13 e os 15 anos. No segundo ano, a adesão foi muito maior. Sete minutos depois de abrirem as inscrições para 50 vagas, receberam 130 pedidos.

Para responder a todas as solicitações, em 2019, em vez de um, abriram dois campos, um para jovens de 13 e 14 anos, e outro para jovens dos 15 aos 17 anos.

Este ano, a Associação Os Perdigotos está a ponderar abrir os campos às crianças das instituições de acolhimento/adoção, caso a situação da pandemia o permita.

 

Convívio, jogos e missa ao pôr do sol

A primeira atividade que os 50 perdigotos fazem quando chegam ao campo, ao domingo, é animar a missa dominical da paróquia mais próxima que, nos últimos anos, tem sido em Mértola. Dirigem-se depois para o monte onde estão instalados os campos e onde ficam até ao fim de semana.

Os dias começam cedo com a oração da manhã que, todos os dias, é preparada por um grupo diferente de animadores. Depois do almoço, é tempo de “sorna”, um tempo livre, aproveitado para descansar e proteger do calor intenso que faz nesta zona de Portugal, em que os jovens se juntam em convívio, cantorias e partilhas.

A tarde é preenchida com outro jogo e missa ao ar livre, ao pôr do sol. À noite, os animadores fazem teatro e mais jogos e todos se reúnem na oração da noite. O tema é escolhido pelos “chefes de oração” que depois os animadores adaptam para as diferentes idades. Por vezes, nas aldeias em redor fazem atividades de contacto com a comunidade.

As “tias”, responsáveis por preparar as refeições, acabam por se tornarem as “mães” de todos naquela semana, prontas para apoiar e mimar. O padre celebra a missa diária, estando sempre disponível para conversas privadas ou confissões. E todos os anos acontecem histórias muito engraçadas que eles já pensam registar em livro.

Além da semana no verão, os Perdigotos participam também numa peregrinação, na última semana antes da Páscoa, aberta a quem quiser participar, desde os 13 aos 30 anos.

Planos não faltam para quando passar a pandemia. “Queremos voltar a fazer os nossos campos de férias no verão e as nossas peregrinações na Páscoa. Os Perdigotos foram criados para servir o próximo, por isso, assim que for possível é isso que faremos, da melhor maneira possível”, prometem Ana Bettencourt e Mariana Medeiro.

 

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