
O bispo Isidoro Mora foi preso por uma declaração completamente inofensiva, feita em nome da Conferência Episcopal do País. Foto © Diocese de Siuna
O bispo de Siuna, Isidoro Mora, foi detido na última quarta-feira, dia 20, por polícias e paramilitares, quando viajava para a comunidade de La Cruz de Rio Grande, para aí administrar o sacramento da confirmação, segundo notícias confirmadas por diferentes fontes da Nicarágua.
A detenção por parte do regime de Daniel Ortega e Rosario Murillo fica a dever-se ao apoio espiritual que Isidoro manifestou relativamente ao seu colega do episcopado Rolando Alvarez, bispo da diocese de Matagalpa, detido há mais de um ano por razões políticas. [ver 7MARGENS]
Com o prelado de Siuna foram igualmente detidos dois seminaristas que com ele viajavam, de acordo com informações prestadas na rede social X (ex-Twitter), por Martha Patricia Molina, advogada nicaraguense no exílio, que se dedica há anos a documentar ataques à Igreja Católica.
Aparentemente, o bispo Mora foi preso por uma declaração completamente inofensiva, feita em nome da Conferência Episcopal do País:
“Gostaria de expressar as saudações da Conferência Episcopal. Estamos sempre unidos na oração por esta querida Diocese de Matagalpa, na oração por Monsenhor Rolando, na oração pelo caminho de cada um de vós. Estamos unidos na oração, na comunhão, na fé, no amor”, terá dito o bispo, durante uma missa na catedral de Matagalpa, dias antes.
Desde 2018, que a pressão e repressão do regime sobre a Igreja Católica se agudizou, especialmente depois de terem falhado as negociações entre o Governo de Ortega e os opositores políticos, mediadas pela conferência episcopal. Martha Molina contabilizou, desde então, 176 padres e religiosos que foram exilados do país ou que viram a sua entrada negada. Além da proibição de festas e cerimónias religiosas, sucedem-se “visitas de cortesia” com fins de intimidação de membros do clero, bem como operações de monitoração de homilias, por parte de agentes policiais e paramilitares.
A denúncia de violações de direitos humanos e o protesto contra o encerramento de meios de comunicação da Igreja valeram ao bispo Rolando Alvarez uma pena de prisão de 26 anos. O Governo pressionou-o a que saísse do país, o que ele recusou. No exílio encontra-se já um terceiro bispo, Silvio Baez, que é formalmente bispo auxiliar de Manágua.









