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autores - Rita Reino Assunção nova

Oxalá Portugal não os desiluda!

ﮔﺎ۔ ﮐرے ﻧﮩﯾں ﻣﺎﯾوس اﻧﮩﯾں ﭘرﺗﮕﺎل ﮐہ ﮨﮯ اﻣﯾد ﻣﺟﮭﮯ

No dia, na noite em que Jesus, Deus feito homem com o Amor que nos tem, venceu a morte para nossa Salvação, este mesmo Jesus que para uns é Deus e que para outros será um profeta. Com ELE no coração escrevo estas palavras.

Um dia, os caminhos cruzaram-se entre uma família do Paquistão e uns afortunados nos quais me incluo. Foi no adro da Igreja de Santa Isabel (por causa dos escuteiros), primeiro com um, depois com outro e por fim chegou a mim. A família saiu do Paquistão e foi para Arábia Saudita em busca de uma vida melhor, fugindo de “algumas coisas”.

Lá, na Arábia Saudita, a família cresceu. Ele tem negócio próprio e ela, formada em farmácia, tinha um bom lugar a nível laboral.

Apesar do nível financeiro ser estável e até bom, havia coisas que não estavam bem no seu coração de pais. Sofreram “algum” racismo, pois a cor da pele denunciava que não eram sauditas. A pouco e pouco foram percebendo que as suas filhas e o seu filho ao crescer não poderiam estudar na Arábia Saudita, pois ali só os sauditas podem ir para a universidade e, consequentemente, os seus filhos não gozariam as mesmas oportunidades.

Mas sabem e dizem que “o estudo é uma arma” importantíssima. Indispensável para uma maior igualdade de futuras oportunidades.

É comovente ver como uma mãe com três filhos parte para um outro país, porque aí tem esperança que as suas duas raparigas possam estudar e viver em liberdade e segurança como mulheres.

Não vieram ao acaso, estudaram vários países, pensaram e repensaram; tiveram em conta o nível económico-social e cultural e tentaram perceber emocional e afetivamente em qual estariam melhor, qual seria a melhor opção para começar novamente uma vida, mas agora com duas meninas. De todos os países da Europa escolheram Portugal. E um dos fatores foi perceber que em Portugal ainda há um certo espírito de família e uma grande atenção ao cuidado dos mais velhos.

 

Oxalá Portugal não os desiluda!

ﮔﺎ۔ ﮐرے ﻧﮩﯾں ﻣﺎﯾوس اﻧﮩﯾں ﭘرﺗﮕﺎل ﮐہ ﮨﮯ اﻣﯾد ﻣﺟﮭﮯ

ensaios da peça Une Histoire Bizarre, interpretada por 16 imigrantes e refugiados em Portugal; ideia original de Sebastião Martins, encenação de Júlio Martin, foto © Tomás Nolasco

Ensaios da peça Une Histoire Bizarre, interpretada por 16 imigrantes e refugiados em Portugal; ideia original de Sebastião Martins, encenação de Júlio Martin, foto © Tomás Nolasco

Têm muitos sonhos e têm muitos desejos.

Mas o principal entre todos os sonhos e desejos é que as meninas se tornem mulheres livres, seguras e que possam trabalhar e estudar.

Foi “só” isso que os fez mudar mais uma vez de país.

Foi bonito ver o carinho do pai para com as suas meninas. A preocupação da liberdade das filhas é tão vivida pelo pai como pela mãe. O pai vai embora, pois é na Arábia que consegue trabalhar para sustentar a família, a liberdade e os estudos, para um futuro mais justo. Queria muito ficar, mas tem a noção que cá, por enquanto, não é fácil, querem muito poder voltar a estar todos juntos para o resto da vida, mas até lá o pai virá tantas vezes quanto as que puder.

A preocupação da mãe é imensa perante todas as dificuldades que sabe vai passar, mas sabe também que este amor pela liberdade das filhas vale todo o sofrimento e todas as dificuldades. O pai tem medo de não estar cá para as proteger em caso de necessidade.

Juntas descobrimos que entre o Corão e a Bíblia há muito em comum, que entre o Islão o Cristianismo há muito que nos une também. Eu já sabia, mas ela começou a fazer esta descoberta recentemente e que feliz descoberta por parte dela!

Conversamos e acima de tudo sonhamos uma fidelidade, uma fraternidade, uma possibilidade de viver em paz no mundo, mesmo com as diferenças porque é muito mais o que nos une do que aquilo que nos separa e todos habitamos esta casa comum.

Juntas também descobrimos que há palavras em comum entre o árabe e o português. Ela não sabia que os árabes tinham chegado à Península Ibérica antes do tempo do profeta.

Não se pode escrever em texto estas vivências, mas fica gravada no coração a graça de quem as tem.

 

Oxalá Portugal não os desiluda!

ﮔﺎ۔ ﮐرے ﻧﮩﯾں ﻣﺎﯾوس اﻧﮩﯾں ﭘرﺗﮕﺎل ﮐہ ﮨﮯ اﻣﯾد ﻣﺟﮭﮯ

Africanas, mulheres de etnia cigana e imigrantes. Vivem no bairro da Quinta da Princesa, Seixal, e fazem parte de um projeto de cidadania ativa. Foto © Câmara Municipal do Seixal.

Africanas, mulheres de etnia cigana e imigrantes. Vivem no bairro da Quinta da Princesa, Seixal, e fazem parte de um projeto de cidadania ativa. Foto © Câmara Municipal do Seixal.

 

Pois os sonhos e a esperança que eles depositam neste país são enormes.

Só veem o lado bom, apesar das dificuldades e algum medo. Eu também acredito que os portugueses são “fraternalmente bons “. Mas infelizmente começo a ter uma desilusão de que não será bem assim. Nem todos seremos assim. Já não olhamos para os “outros” do mesmo modo, também julgamos pela cor da pele, pela gastronomia e pela religião, e julgamos sempre por baixo.

Oxalá que eles não se cruzem com esses.

Quem sempre teve liberdade não consegue imaginar a falta dela (em pouco tempo ouço esta frase duas vezes). Não se consegue imaginar o que é ser mulher em alguns países, não se consegue perceber o que é o ser olhado como um ser inferior pela cor da pele.

ﮔﺎ۔ ﮐرے ﻧﮩﯾں ﻣﺎﯾوس اﻧﮩﯾں ﭘرﺗﮕﺎل ﮐہ ﮨﮯ اﻣﯾد ﻣﺟﮭﮯ

Oxalá Portugal não os desiluda e que as meninas cresçam, se formem e vivam em liberdade e sejam felizes.

Dou sempre Graças a Deus porque a minha neta mais velha pode jogar futebol e ser feliz assim, de calções no meio da relva e da bola entre raparigas e rapazes.

A menina mais velha da família diz que gosta da escola, que foi bem acolhida pelos meninos e pela professora, em menos de nove meses já diz umas palavras em português, assim como a mãe.

Em casa fala-se inglês pois é uma língua que dá para comunicar com o mundo em geral, e, por enquanto, algum português que de futuro será mais fluente. Mas também falam panjabi e urdo.

 

Espero, desejo e sonho com a fraternidade entre todos.

ﮨوں۔ دﯾﮑﮭﺗﺎ ﺧواب اور ﺧواﮨش ،اﻣﯾد ﮐﯽ ﭼﺎرے ﺑﮭﺎﺋﯽ درﻣﯾﺎن ﮐﮯ ﺳب ﻣﯾں

Fratelli Tutti em russo; Abu Dhabi; Papa Francisco;

Imagem da capa da edição da encíclica Fratelli Tutti em russo

Falámos sobre o documento de Abu Dhabi, assinado pelo Papa Francisco e o Grande Íman Al-Aznar. Não conhecia, ficou espantada. E no coração dela, apesar de tudo o que já viveu, apesar de tudo do que já fugiu, apesar de tudo o que teve de deixar para trás em busca de uma vida melhor, tem uma esperança infinita em Portugal, tão grande que até assusta pois não sei se estamos à altura.

O amor de mãe, o amor de pai, é uma coisa que vem das entranhas, uma coisa que não se explica, é uma coisa que só se vive e só se mostra na medida das dificuldades e na medida dos sonhos.

Sejam bem-vindos e que saibamos acolher os vossos sonhos e necessidades, os vossos e os de todos os que nos procuram.

Juntos vamos tornar o sonho da fraternidade numa realidade vivida no presente.

 

Oxalá Portugal não os desiluda…

ﻧﮩﯾں ﻣﺎﯾوس اﻧﮩﯾں ﭘرﺗﮕﺎل ﮐہ ﮨﮯ اﻣﯾد ﻣﺟﮭﮯ

Rita Reino Assunção é mãe de quatro filhos, avó de quatro netos e pertence ao grupo Cuidar da Casa Comum em Santa Isabel. A caminho para uma verdadeira conversão ecológica integral.

 

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O Papa Leão XIV proclamou, desde 10 de janeiro e até final deste ano, um ano jubilar assinalando os 800 anos da morte de Francisco de Assis, ocorrida em 3 de outubro de 1226 – a festa litúrgica é assinalada dia 4. Com esse pretexto, o 7MARGENS publica, até final do ano, nos dias 3 ou 4 de cada mês, uma série de dez textos da autoria de frei Isidro Lamelas, da Ordem dos Frades Menores, professor de Teologia. Este é o oitavo texto da série.

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