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Igreja Numão, Foz Coa, Lamego

Acusado de tráfico de pessoas e de abuso sexual

Padre detido tinha tentado frequentar o seminário uma primeira vez, mas em vão

| 27/10/2022

Igreja matriz de Numão (Foz Coa). Foto © Vitor Oliveira/CC BY-SA 2.0, via Wikimedia Commons

 

O padre que foi detido esta quinta-feira pela Polícia Judiciária (PJ) pela alegada prática de crimes de tráfico de pessoas e de abuso sexual de pessoa incapaz de resistência, em Vila Nova de Foz Côa, só entrou para o seminário em 2006/2007 e foi ordenado padre em 2013, aos 53 anos. No entanto, já tentara anos antes frequentar o seminário, mas em vão – sabe o 7MARGENS. Não foi possível apurar a razão exacta para que isso tenha acontecido, mas um responsável eclesiástico da região diz que ela podia já ter a ver com suspeitas sobre este tipo de factos.

Num comunicado da PJ, refere-se que o suspeito foi detido, através da Directoria do Norte, no âmbito de uma investigação em curso e em cumprimento de mandados emitidos pelo Ministério Público – Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) da Maia. “Trata-se do padre António Pinto, de Numão, em Vila Nova de Foz Côa”, no distrito da Guarda, disse fonte policial à agência Lusa, citada no Diário de Notícias.

Com 63 anos, o padre está “fortemente indiciado pela prática dos crimes de tráfico de pessoas e abuso sexual de pessoa incapaz de resistência”, de acordo com as mesmas fontes. A PJ fez buscas domiciliárias e não domiciliárias no âmbito da investigação e esclarece que, de acordo com uma “decisão judicial proferida em 2017, o arguido foi nomeado tutor da vítima, tendo-a acolhido na sua residência, oferecendo-lhe trabalho, em troca de alojamento e alimentação, sem qualquer outro pagamento”.

A Judiciária diz ainda no comunicado que, “aproveitando-se das incapacidades psíquicas e da especial vulnerabilidade da vítima, o arguido veio depois a exigir-lhe serviços sexuais, fechando-o em casa e vedando-lhe qualquer contacto com o exterior quando recusava aceder aos seus propósitos”.

A vítima é um homem de 44 anos, que entretanto iria ficar num centro de acolhimento e protecção especializado em vítimas de tráfico de seres humanos, informou a PJ.

O detido, por sua vez, não tem antecedentes criminais e será agora presente à autoridade judiciária competente para um primeiro interrogatório judicial e aplicação de eventuais medidas de coacção.

A Diocese de Lamego esclareceu, entretanto, num curto comunicado publicado na sua página oficial na internet, que nada sabia acerca dos alegados crimes praticados pelo padre agora detido: “A Diocese de Lamego e o seu Bispo e a sua Comissão Diocesana de Protecção de Menores e Adultos Vulneráveis e o seu presidente afirmam nada saber dos eventuais factos que correm na comunicação social acerca do P. António Júlio [Pinto]”, lê-se no comunicado.

No comunicado, as mesmas entidades afirmam também “não ter recebido até ao presente qualquer denúncia a esse propósito” e asseguram ao mesmo tempo que se mantêm atentas “à evolução da situação”, manifestando-se “prontos a apoiar cristã e solidariamente todos os sofredores”.

 

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