Um padre da arquidiocese de San Antonio, no Texas (EUA), foi excomungado e removido do estado clerical depois de ter sido considerado “culpado de cisma” por se recusar a reconhecer a autoridade do Papa. John Mary Foster tinha chamado “usurpadores” tanto a Francisco como a Leão XIV e continuava a celebrar missa apesar de ter sido proibido de o fazer pelo arcebispo.
A decisão foi anunciada a 14 de agosto pelo arcebispo de San Antonio, Gustavo, García-Siller, depois de um tribunal canónico, autorizado pelo Dicastério para a Doutrina da Fé, ter considerado Foster culpado de “um crime contra a fé por se recusar a submeter-se ao Romano Pontífice”. A sentença tinha sido proferida a 20 de abril. e foi agora dada a a conhecer pelo jornal National Catholic Reporter.
De acordo com o arcebispo, Foster “rejeitou o Magistério da Igreja Católica pelas suas palavras e ações” e referiu-se publicamente aos papas Francisco e Leão XIV como “usurpadores”. A excomunhão foi aplicada latae sententiae, isto é, decorreu automaticamente dos atos de natureza cismática praticados pelo presbítero, segundo a declaração da arquidiocese.
Foster, ordenado padre em 1987 pela Comunidade de São João, tinha fundado em 2001 a Mission of Divine Mercy (Missão da Misericórdia Divina), com sede em Canyon Lake, no Texas. A organização promovia retiros e ministério sacramental e chegou a ser reconhecida como apostolado católico pela Arquidiocese de San Antonio, em 2010.
A relação com a arquidiocese deteriorou-se a partir de 2024, quando a Mission of Divine Mercy começou a publicar na internet alegadas mensagens divinas recebidas por uma das suas membros, a religiosa Maria Amapola de Jesús. O arcebispo tinha pedido ao grupo que suspendesse a publicação dessas mensagens até que fossem analisadas, por considerar que continham “afirmações escandalosas e falsos ensinamentos”.
Uma das mensagens, publicada em março de 2024, acusava os bispos de terem permitido que “o usurpador” se sentasse na cadeira de Pedro. Foster recusou retirar as mensagens e afirmou que, depois de discernimento e oração, a pequena comunidade entendia estar chamada a continuar a divulgá-las, por acreditar que eram palavras que Deus lhes confiava para o bem da Igreja.
Na sequência do conflito, García-Siller retirou a Foster as faculdades para o exercício público do ministério e suprimiu o estatuto de apostolado da Mission of Divine Mercy. Apesar disso, o grupo continuou a divulgar alegadas mensagens até, pelo menos, julho deste ano.
Na carta de 14 de agosto, o arcebispo afirma que Foster teve “inúmeras oportunidades” para se arrepender e abandonar as suas posições, mas “escolheu o caminho da desobediência”.
García-Siller afirma ainda ter proibido o sacerdote de celebrar publicamente a missa, ordem que este continuou a desrespeitar. Durante as celebrações, acrescenta, Foster omitia deliberadamente o nome do Papa Leão XIV na oração eucarística, tal como anteriormente fizera com o Papa Francisco. Para o arcebispo, esse gesto manifesta publicamente a separação de Foster em relação à Igreja e ao sucessor de Pedro.
A sentença inclui a perda do estado clerical, pelo que Foster deixa de pertencer ao clero católico. A excomunhão impede-o, além disso, de receber os sacramentos enquanto permanecer nessa situação.
García-Siller dirigiu também uma advertência aos fiéis da arquidiocese, pedindo-lhes que não participem em qualquer missa, atividade litúrgica ou outro evento promovido por Foster ou realizado nas instalações da Mission of Divine Mercy. A participação, afirmou, constitui “um ato formal de desobediência”.
O arcebispo pediu igualmente aos católicos que não apoiem financeiramente Foster ou a organização e apelou à oração pelo antigo sacerdote, para que “se arrependa e procure a reconciliação com a Igreja Católica” e possa voltar a receber os sacramentos.
A Mission of Divine Mercy contestou a decisão e manteve a sua convicção de que Foster está a agir em fidelidade à Igreja. Segundo informação publicada na imprensa local, o grupo continua a considerar Leão XIV um “usurpador”, embora tenha afirmado não ter intenção de abandonar a Igreja Católica.
O caso ocorre depois de, em julho, o mesmo arcebispo ter emitido uma advertência contra a participação dos católicos em celebrações da Fraternidade Sacerdotal de São Pio X na região, na sequência da ordenação de bispos sem autorização pontifícia.










