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P Stan Swamy, sj. Índia

Padre jesuíta preso na Índia deve ser libertado, apela a AIS

| 11/12/2020

 

O padre Stan Swamy, jesuíta preso na Índia: AIS apelas também à sua libertação. 

 

O padre jesuíta Stan Swamy, detido desde 8 de Outubro por alegadas actividades ilegais, deve ser libertado imediatamente pelas autoridades da Índia, apela o presidente executivo internacional da fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS). “Defendemos a libertação deste padre que passou os últimos 40 anos a trabalhar com tribos indígenas (Adivasi) no estado indiano de Jharkhand, tribos que foram expulsas à força das suas terras nativas para dar espaço a projectos agrícolas mineiros ou industriais”, afirma Thomas Heine-Geldern, num comunicado divulgado a partir de Königstein, na Alemanha.

“O seu único crime foi exigir justiça e denunciar os abusos” que estas populações tribais “sofreram na sua região”, diz o responsável da fundação pontifícia, citado pelo serviço de informação da AIS. Também os jesuítas pediram a libertação de Swamy logo depois da sua detenção, como o 7MARGENS noticiou na ocasião.

As autoridades negaram de forma incompreensível a libertação sob fiança ao sacerdote jesuíta, apesar da idade avançada e do seu estado de saúde precário, recorda ainda o comunicado: o padre Stan tem 83 anos de idade e sofre de Parkinson.

Para Thomas Heine-Geldern, o caso do padre Swamy “é apenas a ponta do icebergue”, pois há “outros casos de padres e catequistas injustamente acusados com o objectivo de espalhar o medo e intimidar” os que trabalham procurando dar “melhores condições de vida para os adivasis e os dalits”, ou intocáveis.

A mesma AIS, aliás, cita números do Fórum Cristão Unido segundo os quais, desde o início deste ano, já terão ocorrido mais de 250 ataques contra a comunidade cristã na Índia – 76 dos quais apenas desde o dia 1 de Setembro.

Heine-Geldern afirma que “detenções injustificadas como a do padre Stan Swamy parecem muitas vezes ter apenas um objectivo: silenciar e intimidar os mais fracos”. Por isso, a AIS preocupa-se “com o crescimento do nacionalismo religioso, o qual é promovido por instituições próximas do governo indiano”. Uma realidade que afecta directamente a comunidade cristã. “Em muitas aldeias, os cristãos são limitados na sua liberdade de movimento por medo de sofrerem represálias fundamentalistas”, acrescenta o presidente da AIS.

Há leis anti-conversão promulgadas em oito estados da União Indiana, que são muitas vezes usadas para acusar injustamente os cristãos e crentes de outras religiões, diz ainda. O objectivo, por vezes, acrescenta Thomas Heine-Geldern, é intimidar os opositores em disputas de terras que surgem frequentemente nas regiões habitadas por tribos indígenas”. E há pessoas que passam anos na prisão em resultado de falsas acusações, levando à perda dos seus direitos legais, acrescenta o responsável da AIS, que apela “às instituições políticas internacionais” para que garantam a protecção da liberdade religiosa na Índia e para que a Igreja Católica “continue a trabalhar para os mais pobres dos pobres”.

Cristãos na Índia: os dados actualizados regista o aumento das perseguições em três estados do centro-Norte do país. Foto ACN-Portugal.

 

Nos dados actualizados do Fórum Cristão Unido (FCU), o mapa regista que a maioria dos casos de perseguição aos cristãos estão a ocorrer nos estados de Uttar Pradesh, Madyha Pradesh e Chhattisgarh. Este último é um dos que mais preocupa os responsáveis cristãos: Sajan K George, presidente do Conselho Global de Cristãos Indianos, revela, citado pela Asia News, a sua inquietação perante “o número crescente” de ataques e incidentes que envolvem os cristãos tribais naquela região da Índia central.

Um dos últimos episódios registou-se dia 25 de Novembro: cerca de 30 pessoas ficaram feridas, quatro das quais com gravidade. A 22 e 23 de Setembro, 16 famílias cristãs viram as suas casas destruídas na região de Bastar, por se terem recusado a converter ao hinduísmo.

O Conselho Global de Cristãos Indianos manifesta-se “profundamente preocupado com o que está a ocorrer em muitas regiões tribais”, onde se têm registado “episódios graves e em larga escala de violência anticristã”, diz Sajan George. Estes ataques, diz a AIS, têm origem em “grupos extremistas” que levantam “suspeitas e inimizades” procurando dividir as comunidades locais.

Muitos dos casos ficam por esclarecer, como o que aconteceu em Kandhamal (Odisha), em Agosto de 2008, quando mais de uma centena de pessoas foram assassinadas por extremistas hindus e mais de 64 mil forçadas a fugir para se salvarem. Cerca de 6500 casas e 395 igrejas ou capelas foram também destruídas e ainda hoje, apesar de terem passado 12 anos, cerca de 10 mil pessoas não terão regressado a suas casas por medo de represálias, nota a AIS.

 

(Sobre a situação dos cristãos na Índia, pode ver-se este vídeo:)

 

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