Padre José Maria Brito: “Quem sou eu para julgar a liberdade” na eutanásia?

| 18 Fev 20

Obra de Enrique Mirones, monge do mosteiro cisterciense de Sobrado dos Monxes, na Galiza. Foto © Paulo Bateira, cedida pelo autor

 

“A questão da eutanásia toca o mais profundo das nossas emoções, o desejo de respeitar o outro, a sua dor e a sua liberdade. Mas é preciso estar alerta para que, desejando sinceramente respeitar, não abandonemos a liberdade à solidão. Legalizar a eutanásia dispensa as nossas emoções desse estado de alerta”, defende o padre José Maria Brito, responsável pelo gabinete de comunicação dos jesuítas portugueses, num texto publicado nesta terça-feira, 18, no Público.

José Maria Brito começa por afirmar: “Diante da dor de alguém há sempre um pudor que surge, um silêncio que impede o excesso das palavras. Experimento isto muitas vezes nas relações de todos os dias.” E acrescenta que, por isso, a ideia de “julgar os outros” o incomoda.

O debate da eutanásia “talvez fosse mais um desses casos em que o silêncio fosse a melhor solução”, acrescenta o pare jesuíta, que também não quer “julgar quem pede a eutanásia”. “Como seria possível? Nenhum de nós estará em condições de fazer um juízo moral definitivo sobre o pedido dessa pessoa. No entanto, validar ou não um pedido de eutanásia não é absolver ou condenar ninguém, é ajuizar sobre a dignidade da sua vida”, acrescenta. “Ora, a dignidade não deveria ser sujeita a juízo.”

O responsável pela comunicação dos jesuítas acrescenta: “O recato que sinto diante da dor de alguém é o mesmo que sinto diante da sua consciência como lugar sagrado da liberdade. Nenhuma liberdade está imune a limites e condicionamentos, mas em alguns casos o que condiciona a liberdade pode colocá-la em risco.”

(Texto integral aqui)

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