Padre Mário: um cristão de partilha

| 4 Mar 2022

O padre Mário de Oliveira, da Lixa. Foto da sua página de Facebook.

 

Quem conheceu o padre Mário de Oliveira, de Macieira da Lixa, sabe bem que este era um cristão de partilha; mesmo depois de a sua diocese não o ter nomeado para funções pastorais, foi com desassombro que assumiu a teologia da libertação e ao lado de muitos outros, em exemplo de vida e de coerência próprias. Deixa-nos um legado de vários livros onde expõe as suas opiniões sobre a Igreja, que ele amou até ao fim da sua vida.

Assombrosa e polémica foi toda a sua vida, com posições próprias e muito críticas para com a Igreja institucionalizada. Conheci o Mário de Oliveira quando ele trabalhava no jornal República, enquanto jornalista, para lhe dizer que queria casar e que ele presidisse à celebração; logo me perguntou porquê ir à igreja e casar e foi depois de um bom debate que aceitou fazê-lo, o que se consumou na igreja de Cedofeita, no Porto. Daí vi nele com desassombro um padre empenhado em doar a sua vida a quem mais precisava, sem pensar no seu próprio bem-estar; oferecia-se aos outros, como aconteceu na zona ribeirinha do Porto, numa equipa pastoral, desarticulada depois de inconvenientes com o poder político.

O padre Mário foi o grande impulsionador das comunidades cristãs de base em Portugal, como as comunidades Padre Maximino (Grande Porto), Padre Camilo Torres (Baixa da Banheira) e Padre Abel Varzim (Barcelos), que tiveram um trabalho muito profícuo na leitura popular do Evangelho e na consciencialização cristã advinda do Concílio Vaticano II. Para lá das suas posições com as quais muitos não estavam de acordo, foi de facto um presbítero – como ele referia sempre – da Diocese do Porto.

A partilha dos bens era uma das suas mais avançadas ideias, o cumprimento do Evangelho: partilhava tudo com todos; fossem de qualquer tradição religiosa ou mesmo ateus, encontravam sempre nele uma mão amiga, uma mão estendida sem esperar nada em troca. Uma vez vinha eu de carro, e chovia, de Gaia para o Porto, pois o Mário calcorreava a ponte de D. Luís I a pé, defendendo-se da chuva, só para não ficar pesado a quem estava disposto a ajudá-lo nas suas despesas. Esta ideia perseguiu-o sempre: ser pobre para estar entre os pobres. Mesmo agora, vivia nuns anexos na Lixa. Quis sempre ser pobre para os pobres e sentir como eles; nunca se apegou a poderes, muito menos eclesiásticos, para dinamizar e doar o seu próprio corpo à luta por uma outra humanidade. Foi assim que fundou a Associação Padre Maximino para com ela e nela poder libertar-se, libertando os outros.

Poucas coisas tinha suas, para além da roupa que vestia; vivia com uma parca reforma de jornalista, mas aquilo que tinha dava e os proventos das dezenas de livros publicados entregava sempre a causas sociais. Movia-o uma grande vontade de viver, de fazer desta Humanidade uma outra, onde fosse possível a partilha total. O padre Mário de Oliveira não é de esquecer, por muito que alguns tentem. Ele era e é uma pedra viva da Igreja, que ele tanto amava, embora não estivesse nomeado para nenhum lugar hierárquico. Subversão ou Evangelho? era o título de um livro editado pelo seu advogado José da Silva, aquando do seu julgamento em Tribunal Plenário do Porto. Mário escolheu a subversão do Evangelho.

 

Joaquim Armindo é diácono católico da diocese do Porto, doutorado em Ecologia e Saúde Ambiental.

 

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