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Padre jesuíta Stan Swamy, Índia

Acusara positivo à covid

Padre Stan Swamy morreu no hospital na sequência da sua prisão contestada

| 06/07/2021

Padre jesuíta Stan Swamy, Índia

Padre Stan Swamy: a morte chegou no hospital, depois da infecção por covid-19. Foto: Direitos reservados.

 

O padre jesuíta indiano Stan Swamy, preso desde 9 de Outubro, morreu nesta segunda-feira, 5 de Julho, dois dias depois de lhe ter sido colocado num ventilador para tentar contrariar a deterioração das suas condições de saúde, num hospital gerido por instituições católicas na cidade de Bombaim (na costa centro Oeste do país). A morte ocorreu na véspera da avaliação, pelo Supremo Tribunal, de um pedido de fiança, cuja decisão tinha sido adiada no passado sábado, 3.

A morte do padre Swamy, 84 anos, registou-se cerca das 13h30, hora local (9h00 em Lisboa), informa a UCA News, agência católica asiática. Acusado de ligações maoístas e terroristas pelas autoridades, Stan Swamy sempre negou essas imputações: em causa, antes, estaria o seu apoio, nas últimas cinco décadas, a povos indígenas do país e à defesa dos direitos humanos, nomeadamente manifestando-se contra expropriações injustas que têm atingido a comunidade Adivasis, povo indígena de Jharkhand, conforme o 7MARGENS contou.

Esse trabalho foi destacado agora pelos padres Stanislaus Souza, provincial dos jesuítas indianos, e Xavier Jeyaraj, coordenador mundial do Secretariado da Justiça e da Ecologia dos Jesuítas.

Citado no PontoSJ, o portal dos jesuítas em Portugal, afirmou: “O padre Stan foi verdadeiramente um profeta que viveu plenamente a sua vida pelos outros, particularmente os Adivasis, os Dalits e outras comunidades marginalizadas. Quando estava na prisão, disse: ‘Um pássaro enjaulado ainda pode cantar’. E semeou “esperança” no coração de todos. Hoje ele é um pássaro livre que canta do céu chamando cada um de nós a manter viva essa esperança de verdadeira libertação da injustiça, opressão e negação de direitos.”

 

Carta recebida, mas sem resposta
Amnistia Internacional, direitos humanos, Índia, UE

Vigília da Amnistia Internacional, com apoio dos jesuítas, no Porto, na altura da cimeira UE-Índia. Foto © Amnistia Internacional – Portugal.

 

Já em Janeiro deste ano, o provincial dos jesuítas portugueses, padre Miguel Almeida, escreveu uma carta aberta ao embaixador da Índia em Lisboa, que foi subscrita por diversas personalidades. Mas a embaixada limitou-se basicamente a acusar a recepção, sem sequer se referir ao caso do padre Swamy.

Aliás, a situação de desrespeito pelos direitos humanos na Índia e pela falta cada vez maior de liberdade religiosa, em vastas zonas do país, têm merecido a atenção de várias organizações de direitos humanos. Mas isso não foi suficiente para que, na cimeira de Maio da União Europeia com o primeiro-ministro Narendra Modi, que se realizou a partir do Porto, via digital, tivesse feito uma grande pressão sobre o Governo indiano, no sentido de corrigir a situação.

Depois de conhecida a morte do padre Stan, como conta o PontoSJ, decorreu um encontro digital em que jesuítas, familiares, activistas de direitos humanos e diversas personalidades expressaram condolências pela morte do jesuíta, dando testemunho da sua missão junto dos mais frágeis da sociedade.

 

Avisos não chegaram
Jesuítas, Padre Stan Swamy, Índia

Manifestação a pedir a libertação do padre Stan: os apelos caíram nos ouvidos moucos de Modi. Foto: Direitos reservados

 

Não tinham faltado avisos, da parte dos jesuítas e de muitos activistas de direitos humanos, sobre o risco que era manter Stan Swamy na prisão, tendo em conta as suas fragilidades de saúde: preso em Outubro, o jesuíta sofria de Parkinson, deficiência auditiva e outros problemas relacionados com a idade.

Esses problemas, agravados pelas más condições de detenção, devem-no ter impedido de beber e comer adequadamente na prisão durante mais de seis meses, recorda a UCA News.

Finalmente, apesar de vários alertas, o padre Stan foi hospitalizado no dia 28 de Maio, por decisão do Supremo Tribunal do estado ocidental de Maharashtra. Um dia depois, Swamy testou positivo à covid-19. Finalmente, a 3 de Julho, sábado, o Supremo Tribunal adiou a decisão sobre o pedido de fiança para esta terça, 6.

As acusações ao padre Stan e a mais 15 activistas de direitos humanos foram feitas ao abrigo da severa Lei de Prevenção de Actividades Ilícitas (UAPA), e protagonizadas pela Agência Federal de Investigação Nacional (NIA), que tem a missão de combater as actividades terroristas.

Conta a UCA News que a Comissão Nacional de Direitos Humanos da Índia notificara entretanto o governo de Maharashtra e o superintendente da Cadeia Central de Taloja, chamando a atenção para a falta de cuidados médicos adequados para o padre detido.

A mesma fonte recorda que vários grupos de defesa dos direitos humanos e os jesuítas dizem que todas as 16 pessoas detidas no caso são activistas que defendem as populações marginalizadas e que criticaram as políticas nacionalistas do Governo dirigido pelo partido Bharatiya Janata (BJP), de Modi. Apesar disso, os outros 15 acusados continuam detidos, com o objectivo de silenciar as críticas ao Governo, dizem essas vozes.

 

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