
O padre jesuíta Stan Swamy, preso na Índia por defender indígenas, morreu sob custódia. Foto: Direitos reservados
Stan Swamy foi o vencedor póstumo do prémio Martin Ennals, considerado como o Nobel para os defensores dos direitos humanos. Este padre jesuíta indiano, que era um ativista dos direitos indígenas, morreu sob custódia em julho de 2021, e foi agora homenageado pela Fundação Martin Ennals, com sede em Genebra, na Suíça.
Como recorda a agência UCA News, Stan Swamy, de 84 anos, foi preso no caso Bhima Koregaon e morreu sob custódia em julho de 2021 [ver 7MARGENS].
Embora o prémio tenha sido entregue postumamente, o padre já tinha sido escolhido ainda em vida. “O padre Stan foi indicado para o prémio na primavera de 2021, mas infelizmente morreu antes que pudesse recebê-lo”, apontou Hans Thoolen, presidente do grupo de jurados do prémio.
O júri esclareceu as muitas contribuições do jesuíta no campo dos direitos humanos, que “não podem ser eclipsadas pelo seu encarceramento injusto [imposto] pelas autoridades indianas”, acrescentou Thoolen.
Foi o padre Xavier Soreng, ativista social e colega do falecido jesuíta, que recebeu o prémio em Genebra na quinta-feira, 2 de junho. Três outros ativistas de direitos humanos – Daouda Diallo, de Burkina Faso, Pham Doan Trang, do Vietname, e Abdul Hadi Al-Khawaja, do Bahrain – também foram laureados.
“É verdade que o padre Swamy se tornou irritante aos olhos do partido pró-hindu Bharatiya Janata pela sua posição contra o desenraizamento de povos indígenas das suas comunidades e teve que pagar com a sua vida”, descreveu Xavier Soreng.
“Os indígenas foram arrancados do seu habitat para projetos de mineração de carvão sem sequer pagar indemnização. Aqueles que se opunham a isso eram apelidados de maoístas [de esquerda] ou antinacionalistas e colocados atrás das grades”, acrescentou.
De acordo com a agência UCA News, o padre Swamy acreditava na educação dos povos indígenas, ajudando-os a levantar as suas vozes e defendendo-se contra os seus opressores por meios democráticos e legais. “Mas ainda assim o padre Swamy foi preso em 8 de outubro de 2020, sob uma rigorosa lei antiterror e preso”, lembrou o padre Soreng, que também é jesuíta e ativista de direitos humanos em Jharkhand.
As autoridades negaram tratamento médico adequado na prisão ao padre Swamy, que sofria de doença de Parkinson, fazendo com que a sua saúde se deteriorasse. O Supremo Tribunal recusou a concessão de fiança e já foi tarde demais quando foi transferido para um hospital onde viria a morrer a 5 de julho de 2021.
“Estamos muito felizes que o padre Stan Swamy tenha recebido este prestigioso prémio pelo seu serviço altruísta à humanidade”, disse o arcebispo Felix Toppo, da Arquidiocese de Ranchi em Jharkhand.










