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Padres brasileiros denunciam TV católicas que apregoam posições de Bolsonaro sobre a pandemia

| 26/01/2021

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Enfermeiros no Hospital de Santa Maria, em Brasília: os padres criticam as televisões católcas que veiculam falsidades sobre a covid, incluindo do Presidente brasileiro, tendo em conta a situação de ruptura em várias regiões do país. Foto: Pedro Ventura/Agência Brasília

 

Grupos de padres de todos os Estados do Brasil acabam de dirigir uma carta-apelo aos mais altos responsáveis da Igreja Católica para que intervenham e impeçam canais católicos de televisão de difundir informações falsas ou deturpadas, nomeadamente relativas à pandemia do covid-19.

“É inadmissível – referem os padres – que, na contramão, pregadores católicos despreparados, quando não ideologizados, minimizem as medidas sanitárias básicas, como o uso de máscaras, a higienização das mãos, o distanciamento social, e indisponham as pessoas contra a única medida capaz de debelar o vírus, que é a vacina, como, aliás, vem fazendo sistematicamente o Presidente da República, com sua política irresponsável e genocida.”

“Há tempos – diz a carta – estamos sofrendo com essas inverdades que alguns canais católicos disseminam, confundindo sobretudo o povo simples de nossas comunidades, que os escutam como se estivessem ouvindo o próprio Deus.”

A carta refere ainda haver “pessoas que possuem escasso conhecimento” sobre assuntos relevantes para a vida dos que as ouvem, mas que  “acreditam saber mais que os outros consistentemente preparados”.

Num tempo em que “as instituições tradicionais perderam seu poder de influência e de respaldo à verdade”, acrescenta o texto, “qualquer líder religioso que se serve das redes para transmitir suas mensagens, tem garantida a difusão de sua fala em escala geométrica”. Isso é tanto mais nefasto quanto quem nelas aparece “se arroga para si o falar em nome de Deus, de Jesus Cristo ou da Igreja”. E acrescenta: “Pessoas visivelmente despreparadas falam com tanta convicção e arrogância sobre assuntos que não conhecem, que acabam por transmitir uma opinião absurda como se fosse a mais pura verdade”, denuncia a tomada de posição.

Referindo-se em especial à grave situação que o Brasil vive, decorrente da pandemia e da inação e desinformação advinda das próprias autoridades do poder central, os padres subscritores recordam as mais de 210.000 vítimas da covid-19 e o esforço que a Igreja Católica tem estado a fazer para atenuar e combater os efeitos da pandemia. E observam, a propósito:

“O povo católico que segue estes canais não pode ser prejudicado por quem para eles representa o próprio Jesus Cristo, que não veio para enganar, ‘roubar, matar e destruir’ (Jo 10,9), mas – segundo suas próprias palavras na sinagoga de Nazaré – veio para anunciar a Boa Notícia aos pobres, proclamar a liberdade aos prisioneiros, dar visão aos cegos, pôr em liberdade os oprimidos (cf. Lc 4, 18), para que ‘todos tenham vida e a tenham com abundância’ (Jo 10, 10).”

O texto, que foi divulgado esta semana pela página de informação do Instituto Humanitas da Unisinos, é subscrito pelos coletivos Padres da Caminhada e Padres Contra o Fascismo, os quais instam os bispos a “dar um basta nisso”, sob risco de a Igreja Católica vir a cair “num descrédito imenso, numa sociedade que já a escuta muito pouco”.

 

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