Padres de Lamego em formação inédita sobre “flagelo” da violência doméstica

| 1 Dez 19

Foto © Kat Jayne/Pexels

A ideia é inédita na Igreja Católica em Portugal e surgiu de uma conversa preparatória de uma acção de formação do clero da diocese de Lamego: e porque não tratar o tema da violência doméstica? O problema é importante naquela região e por isso seria útil os padres terem informação sobre o assunto, diz António Lucena, director do Departamento Justiça e Paz (DJP), um dos dois responsáveis por avançar com a iniciativa que esta segunda-feira, 2 de Dezembro, decorre em Lamego.

“A violência doméstica é um flagelo que não tem reflexo numa única camada social ou numa região definida, é uma realidade universal, que urge conter”, diz ao 7MARGENS o director do DJP da diocese, engenheiro electrotécnico de formação. “Uma das missões do clero é a de acompanhar os oprimidos, pelo que estas jornadas poderão ser um referencial para encontrar formas de identificar situações de violência e apresentar algumas soluções”, justifica.

Em conversa com o padre João Carlos Costa Morgado, responsável do Departamento Diocesano para a Vida e Ministério dos Sacerdotes, foi decidido avançar com a ideia na Jornada de formação do clero, que decorre durante toda a manhã no Seminário de Lamego. E tendo em conta a importância do tema, surgiu ainda o interesse de abrir a iniciativa à participação de outros agentes de pastoral e pessoas que trabalham na acção social.

 

“Saber a que portas bater”

Isto significa que poderá daqui sair “alguma ideia concreta, mas o primeiro objectivo é dar formação e orientações no sentido de saber a que portas se pode bater quando se conhece algum problema e identificar os pontos aos quais se pode acorrer”, afirma Lucena. Por isso, o programa prevê, às 10h00, de uma responsável da APAV (Associação Portuguesa de Apoio à Vítima). Depois disso, Maria do Rosário Carneiro, vice-presidente da Comissão Nacional Justiça e Paz tentará responder à pergunta “como pode o cristão ser promotor da solução?”

A proposta foi “acolhida de braços abertos pelo clero”, diz António Lucena, director do DJP diocesano desde Setembro. O encontro contava, no final da semana, com cerca de 70 inscritos, entre padres e responsáveis de pastoral ou da acção social – por exemplo, instituições de solidariedade, Misericórdias, associações locais… “Identificar o que se passa” será a primeira urgência e a primeira sensibilização. Formar para o problema a segunda etapa. Concretizar alguma outra iniciativa pode ser o resultado do debate que se fará.

Na jornada de formação prevê-se ainda, na parte da tarde, uma formação técnica sobre o Regulamento Geral de Proteção de Dados. A ideia de alargar a iniciativa a outras pessoas procurou também ter em conta, diz António Lucena, a insistência do Papa – a que o bispo da diocese, António Couto, também pretende dar corpo – na ideia de sinodalidade, ou seja, “caminhar juntos”, colocando clero e leigos juntos à procura de soluções para os desafios que o catolicismo enfrenta.

Artigos relacionados

Apoie o 7 Margens

Breves

Anselmo Borges e a eutanásia: “Quem mata?” novidade

“Se algum dia se avançasse por esta via da legalização da eutanásia, o Estado ficaria com mais uma obrigação: satisfazer o direito ao pedido da eutanásia e seria confrontado com esta pergunta terrível: quem mata?”, escreve Anselmo Borges, professor de filosofia e padre, na sua última crónica no Diário de Notícias.

O Papa e os “teístas com água benta cristã”

“Quando vejo cristãos demasiado limpos, que têm toda a verdade, a ortodoxia, e são incapazes de sujar as mãos para ajudar alguém a levantar-se, eu digo: ‘Não sois cristãos, sois teístas com água benta cristã, mas ainda não chegastes ao cristianismo’”. A afirmação é do Papa Francisco, numa conversa sobre o Credo cristão.

Inscreva-se aqui
e receba as nossas notícias

Boas notícias

É notícia

Entre margens

Eutanásia, hora do debate novidade

Seja qual for a posição de cada um, a reflexão e o debate sobre a eutanásia é uma exigência de cidadania e não uma discussão entre alguns, em círculo fechado, mesmo se democraticamente nos representam. Quando está em jogo o tipo de sociedade que desejo para os meus netos, não quero que outros decidam sem saberem o que penso.

“Qual é o mal de matar?”

A interrogação que coloquei como título deste texto foi usada por Peter Singer que a ela subordinou o capítulo V do seu livro Ética Prática. Para este filósofo australiano, a sacralidade da vida humana é entendida como uma forma de “especismo”, uma designação que ele aplica a todas as teorias que sustentam a superioridade da espécie humana.

Cultura e artes

São Pessoas. Histórias com gente dentro novidade

Há um tanque de lavar roupa. Há uma cozinha. Há o poço e as mãos que lançam um balde. Há uma sombra que foge. Há o poste de eletricidade que ilumina as casas frágeis. Há o quadro pendurado em que um coração pede “Deus te ajude”. Há a campa e a eterna saudade. E há uns tapetes gastos. Em cada uma destas fotos só se adivinham os rostos, os olhos, as rugas, as mãos rugosas, as bocas, as pessoas que habitam estes lugares.

“2 Dedos de Conversa” num blogue para alargar horizontes

Um dia, uma leitora do blogue “2 Dedos de Conversa” escreveu-lhe: “Este blogue é um momento de luz no meu dia”. A partir daí, Helena Araújo, autora daquela página digital, sentiu a responsabilidade de pensar, de manhã, o que poderia “escrever para animar o dia” daquela rapariga. Sente que a escrita do blogue pode ajudar pessoas que não conhece, além de lhe ter alargado os horizontes, no debate com outros pontos de vista.

Um selo em tecido artesanal para homenagear Gandhi e a não-violência

Os Correios de Portugal lançaram uma emissão filatélica que inclui um selo em khadi, o tecido artesanal de fibra natural que o Mahatma Gandhi fiava na sua charkha e que utilizava para as suas vestes. Portugal e a Índia são, até hoje, os únicos países do mundo que utilizaram este material na impressão de selos, afirmam os CTT.

Arte de rua no selo do Vaticano para a Páscoa

Um selo para celebrar a Páscoa com arte de rua. Essa será a escolha do Vaticano, segundo a jornalista Cindy Wooden, para este ano, reproduzindo uma Ascensão pintada por Heinrich Hofmann, que se pode ver na Ponte Vittorio Vittorio Emanuele II, em Roma, a poucas centenas de metros da Praça de São Pedro.

Sete Partidas

Uma mulher fora do cenário, numa fila em Paris

Ultimamente, ao andar pelas ruas de Paris tenho-me visto confrontada pelos contrastes que põem em questão um princípio da doutrina social da Igreja (DSI) que sempre me questionou e que estamos longe de ver concretizado. A fotografia que ilustra este texto é exemplo disso.

Visto e Ouvido

Aquele que habita os céus sorri

Agenda

Parceiros

Fale connosco