Um conflito também religioso

Padres greco-católicos ucranianos libertados em troca de metropolita russo pró-Cirilo

| 2 Jul 2024

Metropolita Ionafan, Ionafan, da Igreja Ortodoxa Ucraniana de Upz, Foto Ukrainian World Congress

O metropolita Ionafan, 75 anos, que havia sido preso em agosto de 2023, foi recebido na Rússia como “mártir vitorioso”. Foto © Ukrainian World Congress

Foram libertados os padres redentoristas Hieromonk Ivan Levystky e Bohdan Geleta – detidos em novembro de 2022 pelas tropas russas na região ucraniana de Donetsk – e, em troca, o metropolita Ionafan (Eletskikh) da Igreja Ortodoxa Ucraniana, apoiante do Patriarca Cirilo e considerado um dos principais ‘traidores e agentes russos’ na Ucrânia. Vários média referem que esta libertação aconteceu devido a uma intervenção direta do Patriarca de Moscovo, apoiada por um pedido semelhante do Papa às autoridades ucranianas.

“Fontes independentes” citadas pela Asia News referem que Francisco terá mencionado o nome do metropolita no recente encontro que teve com o presidente ucraniano Volodymyr Zelenskyj e o seu assessor Andrej Ermak, por ocasião da reunião do G7 em Itália.

Ionafan, 75 anos, que havia sido preso em agosto de 2023 com uma pena de cinco anos, sofreu um ataque cardíaco na prisão em março passado, e o seu advogado alegava que a prorrogação de sua detenção “teria sido uma sentença de morte de facto”. A acusação contra o metropolita dizia respeito aos panfletos pró-Rússia que foram distribuídos pela eparquia de Tulčin, na região de Vinnitsa (no centro da Ucrânia), que então dirigia, e à sua pregação persistente defendendo a dependência da Igreja Ortodoxa Ucraniana do Patriarcado de Moscovo.

Compositor de música litúrgica, Ionafan é o autor do “Hino de súplica pela Rússia” – cuja letra diz: “Deus Todo-Poderoso e justo, guarde a Mãe Rússia e una-nos a todos no amor pela Pátria nativa! Seja invencível sempre, Pátria, Santa Rússia!” – e foi recebido no país como um “mártir vitorioso”, representando a motivação religiosa de todo o conflito e a “lealdade à Ortodoxia canónica”, em vez da Ortodoxia separatista e autocéfala.

Do lado da Igreja Greco-Católica Ucraniana, o arcebispo maior Sviatoslav Shevchuk expressou profunda gratidão à Santa Sé, particularmente ao Papa Francisco, ao cardeal Pietro Parolin, ao cardeal Matteo Zuppi e ao arcebispo Visvaldas Kulbokas, núncio apostólico na Ucrânia, pelos seus esforços para garantir a libertação dos dois padres redentoristas, assinala a Fundação Ajuda à Igreja que Sofre. No dia seguinte a ser conhecida a notícia da libertação dos dois sacerdotes, o Papa lembrou que muitos outros prisioneiros de guerra precisam de voltar também a casa.

Perante os peregrinos concentrados na Praça de São Pedro, no passado sábado, 29 de junho, e depois da oração do Angelus da Solenidade de São Pedro e São Paulo, Francisco voltou a apelar ao fim dos conflitos armados. Penso com tristeza nos irmãos e irmãs que sofrem com a guerra. Pensemos em todas as populações feridas ou ameaçadas pelos combates, que Deus as livre e apoie na luta pela paz”, disse o Papa, acrescentando: “E dou graças a Deus pela libertação dos dois padres greco-católicos. Que todos os prisioneiros desta guerra possam voltar rapidamente para casa! Vamos rezar juntos: que todos os prisioneiros voltem para casa”.

 

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