Palestina: uma luz sobre a resistência

| 4 Jun 2021

Vigília pela Paz em nome de Rachel Corrie - autor: My Red Dice"

Vigília pela Paz em nome de Rachel Corrie, ativista e voluntária do International Solidarity Movement, assassinada pelo exército israelita em Rafah”. Foto © My Red Dice.

 

Admiro, desde sempre, a resistência do povo palestiniano, que considero profundamente inspiradora da esperança num mundo melhor. Acompanho-a com particular intensidade desde 2003, depois de esbarrar de frente com a história da Rachel Corrie, ativista e voluntária do International Solidarity Movement, assassinada pelo exército israelita quando tentava impedir o despejo e demolição de casas de palestinianos em Rafah.

Pelo caminho, até hoje, conheci judeus israelitas (alguns muito críticos do seu Governo e da ocupação), sigo com profundo respeito diversos movimentos ativistas (israelitas, palestinianos, judeus, mistos, neutros,…) e fiz amigos palestinianos que guardo no coração. Não escondo o papel das emoções na minha apreciação e, portanto, obrigo-me a exercícios de empatia constantes. De todos, sai reforçada a minha solidariedade com a luta pela autodeterminação, pelo direito ao retorno, contra a limpeza étnica, a ocupação ilegal, os colonatos, o muro da vergonha, a destruição e o cerco de Gaza, e o apartheid.

Podia usar este espaço para falar sobre os constantes abusos e a violência, citando os relatórios de várias organizações internacionais, em particular o mais recente da insuspeita Human Rights Watch. Muito haveria também a dizer sobre o projeto colonial sionista em curso, ou sobre as várias formas, cada vez mais sofisticadas e adaptadas à era digital, de censura e controlo de Israel das narrativas que prevalecem.

Mas o levantamento que agora abriu novamente os olhos do mundo para a realidade palestiniana tem tudo para ser diferente dos anteriores. O povo palestiniano em Israel, nos Territórios Ocupados ou na diáspora, parece ter finalmente reconquistado a voz e o espaço que sempre foi seu e o direito de falar por si. À comunidade internacional pede solidariedade, o reconhecimento da ocupação e que deixemos acesa, sempre, a luz sobre a resistência.

Há dias deparei-me com uma pintura mural de uma jovem palestiniana com um livro na mão. Era um livro de Hannah Arendt. O contexto era o argumento de que os judeus tinham sofrido o Holocausto e precisavam de um lugar para se fixarem e deixarem de ser perseguidos, como foram, de facto, por séculos – como se isso justificasse o projeto colonial sionista, em curso desde o fim da guerra. A mim, fez-me pensar naquilo que devemos fazer para evitar que se repita ou assuma novas formas, independentemente de quem são e onde estão os perpetradores e as vítimas. A fórmula é simples: informação, reconhecimento, solidariedade e tolerância zero com o racismo, o colonialismo, o apartheid e a opressão.

O meu contributo é uma lista de fontes de informação e de movimentos globais de solidariedade que tenho e uso como referência. Escolhi fontes digitais como critério de inclusão. Tentei que a lista fosse o mais rica e abrangente possível em proveniência e âmbitos de atuação, e que incluísse elementos em português.

Neste momento há um cessar-fogo oficial, mas mantêm-se o apartheid, as arbitrariedades, a humilhação, a repressão e a ocupação ilegal. Prisões, limitações graves à liberdade de imprensa, à liberdade de circulação, agressões, despejos forçados, invasões diárias da mesquita de Al-Aqsa e um cerco apertado e violento ao bairro Xeque Jarrah, de onde ninguém entra nem sai. Nakba [“Catástrofe”, a palavra árabe que designa o êxodo palestiniano de 1948] é um contínuo de 73 anos que se intensifica sobretudo quando a comunidade internacional não está a ver. Continuamos a assobiar para o lado?

 

Petições

  • Esta petição em Portugal ou Avaaz para internacional

Movimentos ativistas e de solidariedade (israelitas e internacionais, militares, civis ou com identidade religiosa)

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  • Amnesty International

 

Ana Vasquez trabalha em Comunicação e Marketing

 

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