
Solidão atacou mais forte na pandemia do que em anos anteriores. Foto © Eric Ward /Unsplash
Durante a maior parte do tempo dos primeiros meses da pandemia, um quarto dos cidadãos da União Europeia sentiu-se sozinho, revelou hoje, dia 26 de julho, o Centro Comum de Investigação (CCI). O nível de solidão reportado é duas vezes superior ao apurado em investigação semelhante realizada em 2016.
O sentimento de solidão cresceu sobretudo entre os jovens, grupo em que mais de um terço afirma ter experimentado essa sensação com muita frequência (“mais de metade do tempo”) nas duas semanas anteriores à realização do inquérito. Na faixa dos 18 aos 25 anos a solidão multiplicou-se por quatro, se compararmos os resultados obtidos para os meses de abril a julho de 2020 (35%) com os reportados em 2016 (9%).
Em Portugal, a pandemia provocou um crescimento de cerca de 18 pontos percentuais no total de pessoas que afirmam ter experimentado a solidão. O país deixou, assim, de pertencer ao grupo daqueles em que uma menor percentagem (perto dos 6%) da população referia ser a solidão uma constante da sua vida, para passar a fazer parte do pelotão em que mais pessoas adultas se sentem solitárias (mais de 25%). Esta progressão é surpreendente, tendo em conta que Portugal era, em 2017, o país europeu com menor taxa de adultos vivendo sós (cerca de 21%), enquanto noutros países do centro e Norte da EU tal percentagem era superior a 40%.
O relatório Solidão na UE: perceções de pesquisas e dados dos media online analisa o sentimento de solidão vivido durante a pandemia em comparação com anos anteriores, para europeus de todas as idades. O relatório divulgado pelo CCI evidencia também o grande crescimento do interesse público pelo assunto. O CCI é o serviço científico interno da Comissão Europeia. Os seus trabalhos de investigação fundamentam as políticas da UE através de aconselhamento científico independente.









