Pandemia triplicou o trabalho das mulheres, diz o Movimento de Trabalhadores Cristãos

| 8 Mar 21

“A pandemia triplicou o nosso trabalho: além de sermos mães e trabalhadoras, assumimos a responsabilidade de sermos professoras dos nossos filhos/as no cumprimento dos seus deveres escolares, perante um sistema educativo que se trasladou para as nossas casas com as plataformas virtuais.”

“Além de sermos mães e trabalhadoras, assumimos a responsabilidade de sermos professoras dos nossos filhos/as.” Foto © Christina-wocintechchat | Unsplash

 

Num comunicado a propósito do Dia Internacional da Mulher, que se assinala nesta segunda-feira, 8 de Março, as mulheres do Movimento Mundial de Trabalhadores Cristãos (MMTC) dizem que esta nova condição que as mulheres tiveram de assumir “implicou mais gastos para a [sua] já precária economia familiar: custos altos de internet a companhias privadas.”

A condição de muitas agrava a situação: há mulheres e mães que “são analfabetas e/ou com limitada escolaridade”, o que dificulta “o trabalho com as novas tecnologias (tablets, telemóveis e computadores), isto tudo porque tiveram de tirar os seus filhos das escolas”.

Outra realidade agravada durante este período foi a violência doméstica, recordam: “Em muitos dos nossos países a política de confinamento nos nossos lares representou um aumento da violência intrafamiliar e abusos a menores pelos seus próprios familiares.”

No texto, o MMTC – que tem neste momento como co-presidente a portuguesa Fátima Almeida, de quem o 7MARGENS acaba de publicar uma reflexão sobre a pandemia – recorda como nasceu o Dia Internacional, “em memória do acontecimento transcendental que marcou a história do trabalho e a luta sindical no mundo inteiro, o 8 de março de 1908: nesta data, 129 mulheres morreram num incêndio na fábrica Cotton, de Nova York, Estados Unidos, logo após se terem declarado em greve com permanência no seu lugar de trabalho”. O motivo: “uma redução do turno de trabalho para 10 horas, um salário igual ao dos homens realizando as mesmas atividades e acabar com as más condições de trabalho que existiam.”

 

Contributo das mulheres ainda é subvalorizado

Por isso, este movimento católico internacional diz que assume o lema da comemoração deste ano: “Mulheres líderes: Por um futuro igualitário no mundo da covid-19”. E justifica: “O nosso contributo quotidiano na construção de relações de igualdade e da vivência do bem-estar integral das nossas famílias, comunidades e povos, continua a ser subvalorizado e ignorado, por uma sociedade de consumo e de descarte.”

O MMTC destaca “o contributo das mulheres na economia familiar e comunitária e na atenção à pandemia”, muitas vezes também como “técnicas e profissionais da saúde”, e enquanto “líderes, guias espirituais e promotoras de saúde integral”.

As mulheres, acrescenta o texto, continuam “a lutar contra uma sociedade de iniquidades, patriarcal e discriminatória”, sofrem “políticas de segregação, criminalização das [suas] lutas e o femicídio, diariamente”. E são “objecto de comércio sexual” e do “crime organizado (cartéis, paramilitares, gangues, traficantes…) imerso nas mesmas estruturas dos nossos Estados”, que “aproveitou a pandemia para inovar os seus mecanismos de enriquecimento ilícito, com um crescimento da indústria do sequestro, do tráfico de pessoas, de drogas e armas”.

Com este diagnóstico da realidade, as mulheres do MMTC dizem que se deve apostar num mundo “fundamentado numa economia social e solidária, no cuidado” das famílias e da “nossa Mãe Terra”, bem como na promoção de “relações intergeracionais, de equidade e das novas práticas de masculinidades livres de violência”.

É importante que os governos locais, regionais e nacionais promovam e garantam o desenvolvimento humano integral, tendo como referência os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável proclamados pela ONU. Para isso, as mulheres do MMTC dizem comprometer-se também “a velar pela nossa Casa Grande, para a vivência de uma Vida Plena, expressa na ternura, amor e solidariedade”.

 

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Fui um dos que, convictamente e pelo amor que tenho à Igreja Católica, subscrevi a carta que 276 católicas e católicos dirigiram ao episcopado português para que, em consonância e decididamente, tomassem “a iniciativa de organizar uma investigação independente sobre os crimes de abuso sexual na Igreja”.

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