Congresso Judaico Mundial no Vaticano

Papa acolhe iniciativa para estreitar laços entre judeus e cristãos

| 22 Nov 2022

conselho judaico mundial reunido com o papa francisco no palacio apostolico, nov 2022, foto (c) Shahar Azran WJC (1)

O presidente do Conselho Judaico Mundial, Ronald S. Lauder, expressou a sua gratidão à Igreja Católica. Foto © Shahar Azran / WJC.

 

Foi com emoção que os líderes judaicos de mais de 50 países viram o Papa Francisco abrir-lhes as portas do Palácio Apostólico do Vaticano, nesta terça-feira, 22 de novembro, para que pudessem apresentar-lhe a mais recente iniciativa do Congresso Judaico Mundial, conhecida como Kishreinu (palavra hebraica que significa “o nosso vínculo”) e que promete “fortalecer os laços judaico-católicos em todo o mundo”.

“Os que nos encontramos aqui hoje estamos ansiosos por promover o nosso laço com a Igreja Católica. Hoje, lançamos o processo de Kishreinu, [que] reforça o futuro comum dos nossos dois povos e apresenta uma nova etapa no vínculo católico-judaico”, afirmou o presidente do Conselho Judaico Mundial (WJC na sigla em inglês), Ronald S. Lauder, durante aquele que foi o primeiro evento formal realizado por uma organização judaica no Vaticano desde sempre.

A iniciativa Kishreinu, quando finalizada, servirá como resposta da comunidade judaica à Declaração Nostra Aetate do Concílio Vaticano II, que em 1965 modernizou a relação entre a Igreja Católica Romana e outras confissões religiosas, nomeadamente o judaísmo.

Lauder aproveitou para expressar a sua gratidão à Igreja Católica, em particular num período de “crescente ódio” em relação aos judeus em todo o mundo. “Não ignoramos. Nós não esquecemos. Mas estamos ansiosos, juntos. E o que poderia ser melhor para todos os filhos de Deus do que viverem juntos em paz, harmonia e na casa do Senhor, para sempre”, afirmou.

 

Heranças partilhadas, semelhanças e responsabilidades comuns

“As nossas duas comunidades de fé têm a tarefa de trabalhar para um mundo mais fraterno, lutando contra as desigualdades e promovendo uma maior justiça, e que a paz não seja uma promessa do outro mundo, mas uma realidade já neste mundo”, disse por seu lado o Papa.

Francisco falou sobre as semelhanças entre os judeus e católicos, recordando que têm em comum “tesouros espirituais inestimáveis”. E, considerando a herança religiosa que partilhamos, “vemos o presente como um desafio que nos une, como uma exortação para agirmos juntos”, reiterou.

“Aquele que criou todas as coisas de acordo com a ordem e a harmonia”, afirmou Francisco, “convida-nos a recuperar este pântano de injustiça que corrói a convivência fraterna no mundo, assim como a devastação ambiental corrói a saúde da terra”. E acrescentou: “as nossas iniciativas políticas, culturais e sociais para melhorar o mundo – o que vocês chamam de Tiqqun Olam – não terão sucesso sem oração e abertura fraterna a outras criaturas em nome do único Criador, que ama a vida e abençoa os pacificadores”.

“Com a nossa herança partilhada, temos a responsabilidade comum de trabalhar juntos para o bem da humanidade, refutando o antissemitismo e as atitudes anticatólicas e anticristãs, bem como como todo o tipo de discriminação, trabalhar pela justiça, solidariedade e paz, espalhar compaixão e misericórdia num mundo muitas vezes frio e impiedoso”, resumiu o cardeal Kurt Koch, chefe do Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos, no final do encontro.

 

As muralhas do Vaticano foram transpostas

“Estamos gratos ao Papa Francisco pelo gesto simbólico inestimável de ser nosso anfitrião aqui hoje e estamos confiantes de que trabalhando juntos criaremos um futuro melhor para todos”. concluiu o comissário do WJC para as Relações Inter-religiosas, Claudio Epelman.

A importância e significado deste encontro foi ainda assinalada pela presidente da União das Comunidades Judaicas Italianas, Noemi di Segni, quando discursou perante o Comité Executivo do WJC: “Para a nossa história de dois mil anos – em Roma e em todas as outras localidades da comunidade judaica italiana – as majestosas muralhas desta Cidade do Vaticano sempre tiveram um significado de limite intransponível”. Agora que as muralhas foram transpostas, “estamos aqui para afirmar que o vínculo é um vínculo de vida, de comunidades vivas com milhares de anos para servir de experiência para as nossas jovens gerações”, concluiu.

 

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