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Leão XIV na Gran Canária
Foto: Leão XIV na Gran Canária. Retirada do vídeo. © Vatican Media

Visita às Canárias

Papa adverte a Europa: Mediterrâneo e Atlântico não podem ser “cemitérios sem lápides”

| 11/06/2026

 

“A Europa não pode proclamar a dignidade humana e habituar-se a ver o Mediterrâneo e o Atlântico como cemitérios sem lápides”, advertiu esta quinta feira, 11 de junho, o Papa Leão XIV, no porto de Arguineguín, em Las Palmas de Gran Canária. Com ele estavam muitos migrantes e cuidadores. Todos se posicionaram diante de uma cruz feita de tábuas de barco naufragado, que o pontífice abençoou.

“Tantas vidas feridas chegam aqui, despojadas de quase tudo, mas nunca da sua dignidade”, afirmou o visitante. “Aqui – acrescentou – o Evangelho tira-nos da posição confortável de espectadores e coloca-nos diante do nosso irmão ou irmã que chega” que pergunta a cada um “se reconhecemos Cristo naqueles que desembarcam marcados pelo medo, pela fome e pela violência, depois do deserto, da noite e do mar”.

Leão XIV na Gran Canária

Um capitão de origem galega que presta serviço de salvamento marítimo afirmou, num testemunho perante um emocionado Robert Prevost, que nos 18 anos que leva nessa missão nos barcos de cor laranja com a sua tripulação terá contribuído para salvar mais de 20 mil pessoas. Foto: Barco de salvamento Gran Canária. Retirada do vídeo. © Vatican News

Um capitão de origem galega que presta serviço de salvamento marítimo afirmou, num testemunho perante um emocionado Robert Prevost, que nos 18 anos que leva nessa missão, nos barcos de cor laranja – um dos quais presente no porto, com a sua tripulação – terá contribuído para salvar mais de 20 mil pessoas. A esses e a todas pessoas resgatadas do mar e aos corpos sem vida retirados das águas, o sucessor de Pedro disse que “a Igreja não pode virar as costas … nem para qualquer lugar onde a fome, a sede, a violência, o medo ou o exílio continuam a ferir a dignidade humana”. “Os discípulos de Jesus não podem considerar estranho o clamor daqueles que clamam na noite”, juntou o Papa.

Referindo-se às imagens bíblicas sobre o oceano, Leão XIV convocou os “monstros” da atualidade que “espreitam nesses mares”: “máfias que traficam com o desespero, traficantes que escravizam mulheres e crianças, e a indiferença de muitos que permitem que os pobres sejam engolidos pela exploração ou pelo esquecimento”. Dirigindo-se diretamente aos migrantes, apelou a que eles “ não entreguem as suas vidas àqueles que as exploram; não acreditem em quem promete paraísos fáceis em troca dos seus corpos ou de dinheiro, de silêncio ou da sua liberdade”.

O Papa sustentou igualmente que “esta tragédia deve tornar-se um momento de reflexão” para os países de onde os migrantes são originários, “que devem criar condições de paz, justiça e desenvolvimento”; para as nações de trânsito, “chamadas a proteger e a não deixar os vulneráveis ​​nas mãos de redes criminosas”; e para a própria Igreja, para a qual “o acolhimento dos migrantes não pode ser secundário nem delegado apenas em alguns voluntários”.

Leão XIV na Gran Canária

‘“Cada barco que chega – disse o Papa –  traz não só migrantes; traz consigo uma pergunta: que tipo de mundo construímos se tantos dos nossos irmãos e irmãs têm de arriscar a vida em busca de sobrevivência?”’. Foto: Imigrantes. Retirada do vídeo. © Vatican News

O sucessor de Pedro dirigiu-se ainda às autoridades políticas, organizações internacionais e também às comunidades cristãs e a outras tradições religiosas, lembrando que “não basta gerir as chegadas, divulgar estatísticas, reforçar as fronteiras ou lamentar as mortes depois de já terem ocorrido”. “Cada barco que chega – disse o Papa –  traz não só migrantes; traz consigo uma pergunta: que tipo de mundo construímos se tantos dos nossos irmãos e irmãs têm de arriscar a vida em busca de sobrevivência?”.

A dignidade humana, disse Leão XIV a terminar, “exige vias legais e seguras, resgate e assistência, cooperação genuína contra os traficantes, proteção efetiva para as vítimas, processos sérios de acolhimento e integração, e políticas que permitam a cada pessoa viver com dignidade em sua própria terra”.

Nesta sua deslocação às ilhas Canárias, o Papa encontrou-se ainda com o clero católico, religiosos e responsáveis da atividade pastoral na catedral de Santa Ana e presidiu à celebração da Eucaristia. E ao final do dia celebrou uma missa, no estádio de Gran Canária.

 

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