Audiência geral

Papa apresenta o judeu Rami e o palestiniano Bassam, dois exemplos de paciência ativa na busca da paz

| 27 Mar 2024

O Papa cumprimenta Bassam e Rami antes da audiência geral (Vatican Media)

O Papa cumprimenta Bassam Aramin, palestiniano, e Rami Elhanan, israelita, antes da audiência geral desta quarta-feira. Foto © Vatican Media

 

A audiência geral desta quarta-feira, 27, do Papa Francisco, teve na primeira fila dois amigos, um palestiniano e outro israelita, que partilham a dor de terem perdido as respetivas filhas na violência que há muito grassa na região. Ambos integram o Parents Circle Families Forum, um fórum criado em 1995 que reúne famílias de ambos os lados do conflito, afetadas pela morte de descendentes diretos, que procuram pôr em prática a convivência e uma “justiça sustentável”.

Trata-se de Rami Elhanan, israelita, que perdeu a filha Smadar, de 13 anos, no local de um ataque suicida palestiniano, em Israel, em 1997. Por sua vez, Bassam Aramin viu a filha Abir, de 10 anos, ser atingida mortalmente, em 2007, por uma bala disparada por um soldado israelita, segundo relata o Vatican News.

Foram ambos diretores daquele Fórum de Famílias, responsabilidade que já passaram a outros, continuando hoje a ser os rostos mais conhecidos de mais de 600 famílias que, nas palavras de Francisco, “sofreram, através dos seus filhos, a guerra na Terra Santa”.

“Eles não olham para a inimizade da guerra, mas para a amizade de dois homens que se querem bem, que passaram pela mesma crucificação”, disse o Papa, ao agradecer os seus testemunhos, no final da audiência.

Vendo que a dor por que passaram, tal como as famílias, era experimentada por muitas outras famílias, que todos estavam “cansados do ciclo interminável de perda de vidas”, entenderam que era juntos que deveriam continuar a “trabalhar para evitar mais lutos, para criar o diálogo, a reconciliação e a paz”, como refere o site da organização israelo-palestiniana.

A organização, que promove atividades diversas entre os seus membros, considera que “chegou a hora de mudar a situação” de violência, que tem causado na região “muita dor, muito derramamento de sangue e muitas lágrimas”.

“Este é o momento – salienta o site – em que todas as partes envolvidas devem (…) reconhecer as características humanas partilhadas que nos ligam uns aos outros. Lembremo-nos de que a violência gera violência, e a única forma de avançar é negociando a paz, o diálogo, a diplomacia e o compromisso de encontrar um denominador comum. Este é um apelo à ação, aos líderes, comunidades e indivíduos, para encontrar soluções que promovam a reconciliação, a justiça e a paz sustentável”.

 

Paciência, uma “vitamina essencial”

Na audiência desta quarta-feira, o Papa desenvolveu a sua catequese semanal sobre a paciência, uma virtude crucial – ou uma “vitamina essencial”, nas palavras do Papa – também para todos aqueles que no Médio Oriente, esperam e são promotores da paz. Precisamos dela, afirmou Francisco, “para ir em frente, mas impacientamo-nos instintivamente e respondemos ao mal com o mal: é difícil manter a calma, controlar os instintos, conter as más respostas, desarmar disputas e conflitos em família, no trabalho ou na comunidade cristã. A resposta chega imediatamente, não somos capazes de ser pacientes”.

Torna-se, assim necessário, continuou o Papa, aprender, como Jesus na cruz, a “suportar o que se sofre”, o que implica ir “contra a corrente em relação à mentalidade generalizada de hoje, na qual dominam a pressa e o ‘tudo já’; na qual, em vez de esperar que as situações amadureçam, pressionam-se as pessoas, esperando que mudem instantaneamente”.

 

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