"Crimes contra a humanidade", diz ONU

Papa compara governo da Nicarágua à ditadura de Hitler

| 10 Mar 2023

Tomada de posse de Daniel Ortega como Presidente da Nicarágua, em 2012. Numa entrevista divulgada esta sexta-feira, o Papa comparou a sua ditadura à de Hitler na Alemanha. Foto © Cancillería del Ecuador.

 

Numa entrevista dada ao site argentino Infobae, divulgada esta sexta-feira, 10 de março, o Papa Francisco foi incisivo na crítica à situação vivida na Nicarágua, sob o regime de Daniel Ortega: “Não me resta senão pensar num desequilíbrio da pessoa que lidera [o país]”, afirmou acrescentando que “é como trazer de volta a ditadura comunista de 1917 ou a ditadura de Hitler de 1935”.

Questionado pelo jornalista e fundador do site, Daniel Hadad, sobre os ataques de que a Igreja Católica tem sido alvo, o Papa não hesitou em referir a situação do bispo Rolando Álvarez. “Temos um bispo na prisão, um homem muito sério, muito capaz. Ele quis dar o seu testemunho e não aceitou o exílio”, sublinhou Francisco, reiterando que a Nicarágua está a viver numa “ditadura grosseira”.

Na última semana, registaram-se novas medidas repressivas contra a Igreja: duas universidades católicas foram forçadas a encerrar, assim como a Fundação Mariana de combate ao Cancro, e ainda os dois escritórios da Cáritas no país, denunciou também esta sexta-feira a Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS).

Recentemente, as autoridades haviam também decretado a proibição de realizar qualquer procissão nas ruas durante a Quaresma e Semana Santa, uma restrição que foi conhecida exatamente duas semanas depois da condenação do bispo Rolando Álvarez a 26 anos de prisão, na sequência de se ter recusado a assinar a sua expulsão para os Estados Unidos da América (ver 7MARGENS).

 

ONU denuncia “crimes contra a humanidade”

bispo rolando álvarez, nicaragua, foto infobae

Detenção do bispo Rolando Álvarez, em agosto de 2022. Segundo um relatório divulgado pela ONU, “a meta é eliminar qualquer oposição no país”. Foto © Infobae.

 

Um relatório divulgado pela ONU revelou no passado dia 2 de março que “estão a acontecer crimes contra a humanidade” na Nicarágua. O documento afirma que as violações são da autoria do governo e que estão a acontecer por razões políticas e deixa um apelo à comunidade internacional para que puna os responsáveis – instituições ou indivíduos – com a imposição de sanções.

Segundo o relatório, “as alegações de abusos, que incluem execuções extrajudiciais, prisões arbitrárias, tortura, privação arbitrária da nacionalidade e do direito de permanecer no seu próprio país, não são casos isolados, mas sim o produto deliberado do desmantelamento de instituições democráticas e da destruição do espaço cívico-democrático”.

Um dos relatores independentes, Jan Simon, assegura que “essas violações estão a ser cometidas de forma sistemática e configuram crimes contra a humanidade de assassinato, encarceramento, tortura, violência sexual, deportação e perseguição política”.

Simon afirma que as autoridades do governo conseguiram instrumentalizar os poderes executivo, legislativo, judicial e as divisões eleitorais nicaraguenses para formar um quadro jurídico de repressão das liberdades fundamentais. “A meta é eliminar qualquer oposição no país”, conclui.

Outro elemento do grupo de peritos em direitos humanos que levou a cabo este estudo, Angela Maria Buitrago, destaca que “milhares de defensores de direitos humanos, trabalhadores de ONG, jornalistas, líderes estudantis e religiosos, artistas e líderes da oposição foram obrigados a deixar o país”.

Desde dezembro de 2018, pelo menos 3.144 organizações civis foram fechadas, e praticamente todos os canais independentes de média e de organizações de direitos humanos estão a operar a partir do exterior.

Em fevereiro, 222 pessoas foram expulsas do país após serem acusadas de “trair a pátria”, grupo no qual o bispo Rolando Álvarez estaria incluído, caso não tivesse recusado a deportação.

 

Fernando Giesteira, o transmontano vítima da PIDE/DGS no dia 25 de Abril de 74

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Uma exposição que é “um grito de alerta e de revolta” contra a perseguição religiosa

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