"A história repete-se"

Papa compara guerra na Ucrânia ao extermínio de judeus na Polónia

| 7 Dez 2022

papa Francisco em audiencia geral, foto Vatican Media

Ao saudar os peregrinos de língua polaca presentes na Aula Paulo VI, Francisco recordou o 80º aniversário da “Operação Reinhard”. Foto © Vatican Media.

 

O Papa comparou, no final da audiência geral desta quarta-feira, 7 de dezembro, o que está a acontecer na Ucrânia com o que se passou há 80 anos na Polónia, com o extermínio de milhares de judeus pelos nazis.

Ao saudar os peregrinos de língua polaca presentes na Aula Paulo VI, e na presença do presidente da Câmara de Lviv, Andrii Sadovy, acompanhado de um grupo de pessoas que trabalham no centro de reabilitação Unbroken para vítimas de guerra na Ucrânia, Francisco recordou o 80º aniversário do plano secreto que os nazis lançaram na II Guerra Mundial para exterminar os judeus polacos, conhecido como “Operação Reinhard”. “A História repete-se, vemos o que está a acontecer agora na Ucrânia”, afirmou.

Francisco concluiu depois a audiência pedindo à Virgem da Imaculada, cuja solenidade se celebra esta quinta-feira, que “dê conforto a todos os afetados pela brutalidade da guerra” e “especialmente à martirizada Ucrânia”, além de exortar os fiéis a rezar pelo povo ucraniano “martirizado” e “tão sofrido”.

Já na audiência do passado dia 23 de novembro, o Papa havia relacionado o sofrimento atual dos ucranianos com o “genocídio causado por Estaline” nos anos 30, conhecido como Holodomor, em que o ditador soviético foi acusado de causar fome na Ucrânia, o que terá vitimado mais de 3 milhões de pessoas.

 

“Uma encíclica sobre a paz na Ucrânia”

papa francisco livro uma enciclica sobre a paz na ucrania

A obra está disponível online, para já apenas em italiano, e conta com uma introdução escrita pelo Papa.

A propósito da posição de Francisco relativamente à guerra na Ucrânia, foi lançado esta terça-feira, 6 de dezembro, em Itália, um livro que reúne as suas intervenções sobre o conflito. Intitulada “Uma encíclica sobre a paz na Ucrânia”, a obra está disponível online, para já apenas em italiano, e conta com uma introdução escrita pelo Papa e traduzida pelo Vatican News para língua portuguesa.

Nesse texto, inédito, Francisco critica a “indiferença cobarde” de quem poderia intervir a favor da paz e questiona: “Quantas tragédias ainda teremos de testemunhar antes que todos os envolvidos em cada guerra compreendam que esta é apenas uma estrada de morte, que ilude apenas alguns a acreditarem que são os vencedores?”

O texto reforça a rejeição de uma “guerra santa” e de qualquer justificação religiosa para os conflitos. “Os horrores da guerra, de toda a guerra, ofendem o santíssimo nome de Deus. E ofendem-no ainda mais quando o seu nome é abusado para justificar tal indizível massacre”, pode ler-se.

E deixa ainda um alerta: “Não devemos, por nenhuma razão no mundo, acostumar-nos a isto, quase tomando como certa esta terceira guerra mundial em pedaços que se tornou, diante de nossos olhos, uma guerra mundial total”.

 

Papa Francisco no Congo: A ousadia de mostrar ao mundo o que o mundo não quer ver

40ª viagem apostólica

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O Papa acaba de embarcar naquela que tem sido descrita como uma das viagens mais ousadas do seu pontificado, mas cujos riscos associados não foram motivo suficiente para que abdicasse de a fazer. Apesar dos problemas de saúde que o obrigaram a adiá-la, Francisco insistiu sempre que queria ir à República Democrática do Congo e ao Sudão do Sul. Mais do que uma viagem, esta é uma missão de paz. E no Congo, em particular, onde os conflitos já custaram a vida de mais de seis milhões de pessoas e cuja região leste tem sido atingida por uma violência sem precedentes, a presença do Papa será determinante para mostrar a toda a comunidade internacional aquilo que ela parece não querer ver.

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