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Santo António. Obra de Delfim Manuel. Col. Ana Saraiva.

Papa convida a seguir Santo António na atenção aos pobres e desfavorecidos

| 13/06/2020

Papa convida a seguir Santo António na atenção aos pobres e desfavorecidos

by | 13 Jun 20

Santo António. Obra de Delfim Manuel. Col. Ana Saraiva.

Santo António com o Menino, obra de Delfim Manuel. Col. Ana Saraiva. Foto © António Marujo

 

O Papa Francisco convidou os católicos a seguir o exemplo de Santo António, na atenção às “dificuldades das famílias, pobres e desfavorecidos”, bem como na sua “paixão pela verdade e justiça”.

Numa mensagem enviada ao ministro-geral da Ordem dos Frades Menores Conventuais, padre Carlos Alberto Trovarelli, por ocasião dos 800 anos da vocação franciscana do santo português, Francisco destaca a modernidade de António, nascido Fernando de Bulhões. Há 800 anos, completados em Janeiro, o então monge de Santa Cruz decidiu “transformar a sua vida”, como diz o Papa. Passou a ser frade franciscano, depois de ter visto os corpos de cinco seguidores de Francisco de Assis, que tinham sido martirizados em Marrocos, e mudou o nome para António.

Deixando Portugal, onde nascera à volta de 1195, o agora franciscano iniciou uma viagem que era “símbolo do seu próprio caminho espiritual de conversão”, escreveu o Papa: “Primeiro foi para Marrocos, determinado a viver corajosamente o Evangelho nos passos dos franciscanos ali martirizados; depois desembarcou na Sicília, após um naufrágio nas costas da Itália, como acontece hoje com tantos dos nossos irmãos e irmãs.”

Percorrendo sobretudo o norte de Itália em pregações, tornou-se popular pela forma “crítica e assertiva” como falava – e que, considera José Carlos Carvalho, professor na Faculdade de Teologia da Universidade Católica, continua actual.

“Santo António criticava algumas práticas da Igreja no seu próprio tempo, denunciando as injustiças; a sua pregação era para dar a conhecer a palavra de Deus e ajudar não só a compreendê-la mas ajudar a vivê-la, aplicada à vida dos seus ouvintes. Tem de se se ter em conta que, naquele tempo, grande parte da população era analfabeta”, diz, em declarações à agência Ecclesia.

Sabe-se hoje mais sobre a figura do que sobre os ensinamentos, diz José Carlos Carvalho, mas seria interessante conhecer a forma como o único português que é “doutor da Igreja” (proclamado como tal em 1946, pelo Papa Pio XII) fazia a interpretação da escritura, “o que prega e como prega”. E também a forma “como ele lê o mundo e interpreta, ver-se a actualidade dessa palavra, a força que encontrou na palavra bíblica, que foi inspiradora e que o levou a anunciá-la e ler os sinais do seu tempo”.

Santo António. Obra de Kuul, "Coronatimes collection, nº 12: A Esperança." Col. Ana Saraiva.

É preciso revisitar a “actualidade” da palavra de Santo António, defende José Carlos Carvalho. Obra de Kuul: “Coronatimes collection, nº 12: A Esperança.” Col. Ana Saraiva. Foto © António Marujo

 

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