
Cardeal Becciu. Foto © Claude Truong-Ngoc / Wikimedia Commons
A notícia da participação do cardeal Angelo Becciu, a convite do Papa, no consistório para a criação de novos cardeais e no encontro nos dias seguintes sobre a reforma da Cúria, caiu como uma bomba nos meios eclesiásticos, esta segunda-feira, 22.
A notícia já tinha circulado em alguns meios italianos, mas foi confirmada pelo próprio Becciu, numa missa particular, na ilha da Sardenha, a sua terra natal, onde se encontra de férias. E não dava azo a grandes dúvidas: “No sábado [19 de agosto] — declarou ele — o Papa telefonou-me para dizer que voltarei às minhas funções de cardeal e me pedir para participar no consistório com todos os cardeais que será realizado em Roma nos próximos dias.”
Recorde-se que este cardeal italiano viu serem-lhe retiradas funções e privilégios, entre eles o de participar num eventual futuro conclave, acusado de envolvimento em operações financeiras de aquisição de um imóvel de luxo em Londres, com alegado recurso ao dinheiro do Óbulo de S. Pedro, quando desempenhava as funções de substituto secretário de Estado do Vaticano. A medida tomada pelo Papa Francisco foi por muitos setores considerada precipitada, por não ter sido considerada a presunção da inocência até a matéria ser julgada, o que ainda não aconteceu.
Apesar de grande parte dos media ter dado a notícia da reinstalação do cardeal, surgiram notícias de fontes da Cúria Romana que deitavam água na fervura, dizendo que o que havia de oficial era o convite do Papa para que Becciu participasse no consistório.
O esclarecimento veio, entretanto, publicado na edição italiana do Vatican News: “Fontes da Santa Sé recordam que os direitos do cardinalato não se referem à participação na vida da Igreja. Os cristãos são chamados a participar, de acordo com seu status: no caso dos cardeais, isso pode incluir um convite — às vezes pessoal — para participar em algumas reuniões a eles reservadas.”










