Cimeira do Clima

Papa convida na BBC a “escolhas radicais”

| 29 Out 21

 

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Os políticos que participarão na Cimeira do Clima “são urgentemente chamados a oferecer respostas eficazes à crise ecológica em que vivemos” e a tomar decisões inequívocas que deem “esperança concreta às gerações futuras”, afirmou o Papa. Imagem retirada do vídeo divulgado pelo Vatican News.

 

Os ouvintes (e telespetadores) do programa Pensamento do Dia da BBC Radio 4 foram na manhã desta sexta-feira, 29, surpreendidos pela voz (e imagem) do Papa apelando à solidariedade global em favor de “escolhas radicais” que nos permitam sair da “tempestade perfeita”, produto das diversas crises simultâneas que a humanidade hoje enfrenta.

A última vez que um Papa fora escutado neste programa tinha acontecido na véspera de Natal de 2010, numa alocução de Bento XVI. Mais de uma década depois, Francisco toma a palavra na véspera da Cimeira do Clima (COP26) que começa no domingo, 31 de outubro, em Glasgow (Escócia), para afirmar: “A mudança climática e a pandemia covid-19 expuseram a nossa profunda vulnerabilidade e levantaram inúmeras dúvidas e preocupações sobre os nossos sistemas económicos e a forma como organizamos as nossas sociedades (..) Encontramo-nos cada vez mais frágeis e até temerosos, apanhados numa sucessão de crises nas áreas da saúde, ambiente, abastecimento alimentar e da economia, para não falar das crises sociais, humanitárias e éticas.”.

Nesta encruzilhada a que nos conduziu a “tempestade perfeita” em que o Papa diz encontrarmo-nos, “perdemos o sentimento de segurança e experimentamos uma sensação de impotência e de perda de controlo sobre as nossas vidas.” A atual situação convida a “decisões radicais, nem sempre fáceis” e a “uma profunda mudança cultural” para dar prioridade ao bem comum que exige “uma mudança de perspetiva, uma nova perspetiva, na qual a dignidade de cada ser humano, agora e no futuro, guie o nosso modo de pensar e agir”.

 

COP26, responsáveis políticos e cidadãos

Referindo-se diretamente à COP26, Francisco disse que os políticos que nela participarão “são urgentemente chamados a oferecer respostas eficazes à crise ecológica em que vivemos” e a tomar decisões inequívocas que deem “esperança concreta às gerações futuras”. Para o Papa, a opção é entre “enfrentar estas crises recuando para o isolacionismo, o protecionismo e a exploração” ou “ver nelas uma oportunidade real de mudança, um momento genuíno de conversão, e não apenas no sentido espiritual.”

Mas a superação das atuais crises não é apenas responsabilidade dos dirigentes políticos. Pelo contrário: “Todos nós – quem quer que seja e onde quer que estejamos – podemos desempenhar um papel na nossa resposta coletiva contra a ameaça sem precedentes das mudanças climáticas e da degradação da nossa Casa Comum” – frisou o Papa na sua alocução via BBC Radio 4. Só desta forma conseguiremos percorrer o “caminho que leve a um horizonte luminoso”, um caminho construído por “uma corresponsabilidade mundial renovada, uma nova solidariedade baseada na justiça, na partilha de um destino comum e na consciência da unidade da família humana que é o plano de Deus para o mundo.”

A Cimeira do Clima que vai decorrer em Glasgow de 31 de outubro até 12 de novembro deveria ter acontecido há um ano, mas a pandemia forçou o seu adiamento. Os países participantes (que representam mais de 98% da economia mundial) são chamados a apresentar a adaptação dos seus planos de redução de emissões de CO2 em relação ao que estabeleceram em 2015 na Cimeira de Paris. As ações a que cada país então se comprometeu visavam garantir que os efeitos das emissões não provocariam um aumento superior a 1,5 graus Celsius na temperatura média do Planeta em 2100 quando comparada com a temperatura média pré-revolução industrial.

Seis anos depois é já evidente que os planos anunciados foram insuficientes para reduzir as alterações climáticas para os níveis capazes de manter a vida no Planeta parecida com a que até agora conhecemos. A generalidade dos cientistas antecipa que, mantendo o atual padrão de emissões (incluindo os cortes desenhados em Paris), a temperatura média da Terra suba pelo menos 2 graus Celsius até 2100. A evolução pode ainda ser mais nefasta tendo em conta as posições recentemente assumidas por Moscovo e Pequim, ambos afastando qualquer hipótese de se comprometerem com metas mais exigentes no que diz respeito às suas emissões de CO2.

 

O vídeo completo da mensagem do Papa pode ser visto em baixo:

 

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