O jornalista chileno Juan Carlos Cruz, que foi vítima de abusos sexuais em criança, acaba de integrar a Comissão de Proteção de Menores do Vaticano, por escolha do Papa Francisco, dada a conhecer esta quarta-feira, 24 de março.
No mesmo ato de nomeação, Francisco prorrogou também por um ano o mandato dos atuais 15 membros daquela Comissão, não se conhecendo ainda se a respetiva presidência continuará a caber ao cardeal O’Malley.
A Comissão é atualmente constituída por sete homens e oito mulheres. Nela figura o padre Hans Zollner, que teve um papel decisivo na investigação desencadeada pelo Papa aos abusos sexuais de crianças por membros do clero e ao encobrimento sistemático por bispos e cardeais.
Juan Carlos Cruz distinguiu-se, com outros companheiros, na luta pela justiça e pela dignidade perante um sistema de poder clerical instalado na Igreja do Chile, que encobriu ao longo de décadas situações extremas de aviltamento da dignidade humana, na pessoa de crianças indefesas. Em 2018, o Papa convidou-o a reunir-se com ele na residência de Santa Marta.
Há sete anos, tinha já sido apontado para a Comissão, mas dois cardeais ter-se-ão oposto a essa escolha, segundo noticia o National Catholic Reporter. Comentando o facto, Juan Cruz disse que este é um sinal de que a Igreja evoluiu. E, nas redes sociais, manifestou gratidão ao Papa Francisco e disse querer renovar o seu compromisso de “nunca parar de lutar” para se “livrar desse horror do abuso na Igreja e em todos os lugares”.










