Congresso da Signis

Papa defende educação para uso crítico dos media digitais

| 18 Jul 2022

Pessoa a usar o telemóvel e o computador. Foto © Maxim Ilyahov | Unsplash

Papa pede maior rigor e “sentido crítico” na utilização dos meios digitais, principalmente da parte dos jovens. Foto © Maxim Ilyahov | Unsplash

 

“Encorajo-vos a prestar especial atenção à necessidade de ajudar as pessoas, especialmente os jovens, a desenvolver um sólido sentido crítico” relativamente aos media digitais, apelou o Papa Francisco, esta segunda-feira, 18, numa mensagem dirigida aos participantes do congresso mundial da Signis, que vai decorrer em Seul, República da Coreia, de 16 a 19 de agosto próximos.

O Papa entende que a Signis – Associação Católica Mundial para a Comunicação – pode desempenhar um relevante papel na “educação para os media”, “fazendo atuar em rede os meios de comunicação católicos e combatendo mentiras e desinformação” que, com frequência, circulam pelas redes sociais.

O bispo de Roma reconhece que “a revolução dos media digitais das últimas décadas provou ser um meio poderoso de promover a comunhão e o diálogo” no seio da “família humana”, como ficou comprovado nos meses de confinamento, aquando da recente pandemia. Aí, os media digitais uniram as pessoas, “não apenas quando divulgaram informações essenciais”, mas também ao permitirem a muitas delas “superar a solidão do isolamento”, e a famílias e comunidades eclesiais juntarem-se em oração e celebração.

Contudo, observou Francisco, têm surgido, sobretudo no uso das redes sociais “uma série de graves questões éticas que exigem um juízo sábio e criterioso por parte dos comunicadores e de todos aqueles que se preocupam com a autenticidade e a qualidade das relações humanas”.

“Às vezes e em alguns lugares, os sites dessas redes tornaram-se locais de toxicidade, discurso de ódio e notícias falsas”, denunciou.

Neste contexto, instou os participantes no congresso a “ajudar as pessoas, especialmente os jovens, a desenvolver um sólido sentido crítico, aprendendo a distinguir a verdade da falsidade, o certo do errado, o bem do mal, e a apreciar a importância de trabalhar pela justiça, pela concórdia social e pelo respeito à nossa casa comum”.

Francisco pediu igualmente que a SIGNIS não esqueça “as muitas comunidades”, um pouco por todo o mundo, que “permanecem excluídas do espaço digital, tornando a inclusão digital uma prioridade do seu planeamento organizacional”. Esse trabalho constitui, na visão do Papa, “um contributo significativo para a difusão de uma cultura de paz baseada na verdade do Evangelho”.

Na parte final da missiva, o bispo de Roma recordou a sua mensagem para o Dia Mundial das Comunicações Sociais deste ano, centrada na “escuta com o ouvido do coração”, e deixou dois desafios à assembleia dos participantes.

Referiu que o “apostolado da escuta” cabe, antes de qualquer outra pessoa, aos comunicadores católicos, dado que “a comunicação não é apenas uma profissão, mas um serviço de diálogo e compreensão entre indivíduos e comunidades mais vastas, na busca de uma convivência serena e pacífica”.

Por outro lado, acrescentou Francisco, cabe aos comunicadores colaborar no processo sinodal que a Igreja vive atualmente, dado que “a escuta é também essencial” para esse caminho sinodal. Ajudar “o povo santo e fiel de Deus” a escutar-se entre si, crescendo “na consciência de que participa de uma comunhão que nos precede e nos inclui” será igualmente uma forma de “promover a paz no mundo digital” e de ajudar a “criar uma Igreja cada vez mais ‘sinfónica’”, cuja unidade se expressa numa pluralidade de vozes, segundo o Pontífice.

O congresso da Signis terá como tema “A paz no mundo digital”.

 

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