Mensagem a jovens europeus

Papa defende recusa do serviço militar e redução do consumo de carne

| 11 Jul 2022

O Papa Francisco fala aos jovens e pede criatividade para a Jornada Mundial da Juventude. Foto © Captura de ecrã de Youtube

O Papa Francisco deixou convite para a participação na Jornada Mundial da Juventude. Foto © Captura de ecrã de Youtube

 

O Papa Francisco apelou nesta segunda-feira ao fim da “guerra absurda” na Ucrânia, numa mensagem enviada aos participantes na Conferência Europeia da Juventude (CEJ), ao mesmo tempo que sugere a possibilidade de se rebelar contra a mobilização militar. Na mensagem, sugere ainda que a redução do consumo de carne pode ajudar a salvar o ambiente.

A CEJ decorre em Praga até quarta-feira, a pretexto do Ano Europeu da Juventude, que se assinala este ano. Na mensagem, o Papa sugere a objecção de consciência dos jovens, perante as decisões dos “poderosos” que os mandam combater: “Todos devemos empenhar-nos para pôr fim a esta loucura da guerra, onde, como de costume, uns poucos poderosos decidem e mandam combater e morrer milhares de jovens. Em casos como este, é legítimo rebelar-se.”

Francisco apresenta como exemplo a “figura extraordinária” do austríaco Franz Jägerstätter (1907-1943), objector de consciência e opositor do nazismo, durante a II Guerra Mundial, que foi proclamado beato pelo Papa Bento XVI.

“Franz era um jovem agricultor austríaco que, devido à sua fé católica, fez objecção de consciência perante a ordem de jurar fidelidade a Hitler e ir para a guerra. Franz era um jovem alegre, simpático, descontraído que ao crescer, graças também à sua esposa Francisca com quem teve três filhos, mudou a sua vida e maturou convicções profundas. Quando foi chamado às armas, recusou-se, porque sentia injusto matar vidas inocentes”, sintetiza o Papa na sua mensagem aos jovens.

“Não obstante as adulações e as torturas, Franz preferiu ser morto a matar. Considerou a guerra totalmente injustificada. Se todos os jovens chamados às armas tivessem feito como ele, Hitler não teria conseguido realizar os seus planos diabólicos. Para vencer, o mal precisa de cúmplices”, acrescenta.

Franz Jägerstätter foi executado na mesma prisão onde se encontrava também Dietrich Bonhoeffer (1906-1945), teólogo luterano alemão, antinazi, que “conheceu o mesmo trágico fim”: “Foram mortos porque se mantiveram fiéis até ao fim aos ideais da sua fé”.

O Papa Francisco dirige-se aos participantes na Conferência afirmando ainda: “Queridos jovens, ao mesmo tempo que estais a realizar a vossa Conferência, na Ucrânia (que não é União Europeia, mas é Europa), combate-se uma guerra absurda. Esta, juntando-se aos numerosos conflitos em curso em diversas regiões do mundo, torna ainda mais urgente um Pacto Educativo que a todos instrua para a fraternidade”.

“Se o mundo fosse governado pelos jovens, não haveria tantas guerras”, escreve. “Aqueles que têm toda a vida diante de si, não a querem esfrangalhar e malbaratar, mas vivê-la em plenitude.”

 

Vida sóbria para salvar o ambiente

Noutro passo da mensagem, o Papa elogia o compromisso das novas gerações na defesa do ambiente, propondo a todos “uma vida digna, mas sóbria, sem luxo nem desperdícios, para que todos possam habitar o mundo com dignidade”.

“É urgente reduzir o consumo não só de combustíveis fósseis, mas também de muitas coisas supérfluas; e de igual modo é conveniente, em certas regiões do mundo, consumir menos carne: também isto pode ajudar a salvar o meio ambiente”, acrescenta no documento.

Na mesma mensagem, Francisco desafia os jovens europeus a fazer ouvir a sua voz, para mostrar ao mundo “um novo rosto” do continente, convidando-os a participar na Jornada Mundial da Juventude (JMJ) de 2023, em Lisboa.

“Fazei ouvir a vossa voz! Se não vos ouvirem, gritai ainda mais forte, fazei barulho, tendes todo o direito de dar a vossa opinião sobre o que diz respeito ao vosso futuro.”

“Nenhuma discriminação contra ninguém, por nenhuma razão. Sejamos solidários com todos; não só com quem se parece comigo ou mostra uma imagem de sucesso, mas também com aqueles que sofrem, independentemente da sua nacionalidade e condição social”, sugere, para referir o Pacto Educativo Global, iniciativa por ele lançada em 2019.

O Pacto, explica o Papa no texto, é uma “aliança entre os educadores de todo o mundo com a finalidade de educar as gerações jovens para a fraternidade”. Mas, “vendo como está a andar este mundo guiado por adultos e idosos, parece que deveríeis antes ser vós a educar os adultos para a fraternidade e a convivência pacífica”, diz Francisco, dirigindo-se aos jovens e citando ainda o pedagogo brasileiro Paulo Freire nas referências a uma educação “em comunhão”, sem “remetentes” e “destinatários”.

 

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