Papa denuncia “enorme tragédia” da Síria e populismos

| 24 Fev 20

Um menino num campo informal de deslocados na Síria, próximo da fronteira com a Turquia. Mais de 500 mil crianças foram forçadas a sair das zonas de Ghouta, Idlib e Aleppo, desde Dezembro, por causa do aumento da violência de combates e do frio. Desde o início do ano, 77 crianças morreram ou ficaram feridas devido à escalada de violência, segundo denúncias da UNICEF (ver https://setemargens.com/mais-de-meio-milhao-de-criancas-deslocadas-na-siria-em-condicoes-extremas/). Foto © UNICEF/Nour Alshami

 

Há uma “enorme tragédia” na Síria, denunciou o Papa neste domingo, 23 de Fevereiro, diante de milhares de pessoas que tinham acabado de participar na eucaristia e recitação da oração do Angelus. Francisco lançou um “forte apelo” a todos os envolvidos e à comunidade internacional, para que “se cale o barulho das armas e se ouçam as lágrimas dos pequeninos e dos indefesos”. E acrescentou, segundo a Ecclesia: “Deixem de lado os cálculos e os interesses para proteger a vida dos civis e das muitas crianças inocentes que pagam as consequências.”

Cerca de 2,8 milhões de pessoas precisam de ajuda humanitária no noroeste da Síria, disse sexta-feira, 21, o secretário-geral da ONU, António Guterres, falando de um “pesadelo” humano. O conflito na Síria provocou, desde 2011, mais de 380 mil mortos, milhões de deslocados internos e refugiados. Os últimos confrontos no noroeste do país provocaram já a fuga de 900 mil pessoas.

Antes da missa, que concluiu a manhã do Papa em Bari, Francisco dirigiu a palavra aos bispos participantes num encontro sobre migrações e conflitos no Mediterrâneo, alertando para os discursos populistas que alimentam o “medo” entre as populações.

“A retórica do choque de civilizações serve apenas para justificar a violência e alimentar o ódio. O falhanço ou, em todo o caso, a fragilidade da política e o sectarismo são causas de radicalismos e terrorismo”, alertou, na reunião promovida pela Conferência Episcopal Italiana sobre o tema “Mediterrâneo, fronteira de paz”.

O Papa lamentou ainda o aumento do sentimento de “indiferença e até de rejeição” perante migrantes e refugiados, vítimas da pobreza e de guerras, apontando o dedo a quem promove um discurso que “leva a erguer as próprias defesas perante aquilo que, instrumentalmente, é descrito como uma invasão”.

“Não aceitaremos jamais que pessoas que procuram por mar a esperança morram sem receber socorro, nem que alguém que chega de longe acabe vítima de exploração sexual, seja mal pago ou contratado pelas máfias”, afirmou, denunciando ainda as violações da liberdade religiosa na região mediterrânica e no Médio Oriente.

Francisco denunciou também o “grave pecado de hipocrisia” dos países que falam em paz, mas depois vendem armas às nações em guerra, entre outras ideias referidas numa outra notícia da Ecclesia.

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