Papa doa dinheiro a Moçambique e Síria e reforça poderes da Autoridade Financeira

| 8 Dez 2020

D. Luiz Fernando Lisboa. Pemba. Papa Francisco

O bispo de Pemba com o Papa Francisco: Luiz Fernando Lisboa diz que as referências de Francisco à situação de Cabo Delgado ajudaram a uma maior atenção sobre o que ali se passa. Foto: Direitos reservados.

 

O Papa Francisco decidiu doar 100 mil euros para apoiar deslocados da violência em Cabo Delgado, norte de Moçambique, disse este domingo o bispo de Pemba, Luiz Fernando Lisboa. O dinheiro servirá para erguer dois postos de saúde.

“Num gesto de caridade pastoral, o Papa Francisco ofereceu 100 mil euros para podermos aplicar no atendimento aos deslocados”, referiu o bispo neste domingo, 6, à agência Lusa, citada pela TSF.

Depois de algumas conversas a nível local, foi decidido que o donativo devia servir para construir “dois postos de saúde, um em Chiúre, o distrito mais populoso de Cabo Delgado, e outro em Montepuez”, sudoeste da província, longe dos ataques de rebeldes e um dos locais seguros que os deslocados em fuga tentam alcançar.

Os cuidados de saúde estão entre as principais necessidades das famílias que fogem dos ataques terroristas de que a província de Cabo Delgado (Norte de Moçambique) tem sido vítima. Metade dos deslocados são crianças.

“Como homenagem, vamos dar o nome de Papa Francisco” aos novos postos de saúde, referiu o bispo Luiz Lisboa. Dentro de dois a três meses as duas unidades deverão começar a atender deslocados.

O bispo de Pemba considera importante o apoio de figuras mobilizadoras como o Papa Francisco para que mais doações possam chegar a Cabo Delgado, onde persiste um défice de ajuda humanitária face à dimensão da crise.

“Se a guerra terminasse hoje, íamos precisar ainda de vários anos para reconstruir” o tecido social da província, referiu.

Francisco tem mostrado proximidade com o drama que se vive no Norte de Moçambique “desde há muitos meses” e mais explicitamente “no dia de Páscoa, em que falou da crise humanitária”.

Depois de o Papa referir Cabo Delgado “houve uma maior abertura por parte de muitos grupos, organizações e inclusive de vários países”, diz o bispo.

O Programa Alimentar Mundial (PAM) anunciou em Novembro que teria de reduzir o apoio alimentar devido ao subfinanciamento da sua actividade.

Luiz Fernando Lisboa destaca esse alerta como um sinal da necessidade de “intensificar a campanha” de apoio a Cabo Delgado, “no sentido de se conseguirem mais apoios”.

A violência já terá provocado duas mil mortes e 500 mil deslocados, que ficaram sem habitação, nem comida, concentrando-se muitos deles sobretudo na capital provincial, Pemba.

O maior investimento privado de África, para exploração de gás natural, situa-se neste momento em Cabo Delgado. A província está desde há três anos a sofrer ataques terroristas. Desde 2019, alguns dos ataques foram reivindicados pelo Daesh.

 

Autoridade Financeira com mais poderes

Já no sábado, o núncio apostólico (embaixador) do Vaticano na Síria anunciou que o Papa iria doar “cerca de 60 mil euros a cada uma das dioceses sírias para ajudar os mais necessitados”.

Citado pelo Religión Digital, Mario Zenari afirmou que metade do valor será entregue ainda este mês, e o restante em Março de 2021. O núncio recorda que, em 2017, tinham já chegado 107 milhões de dólares (o equivalente a cerca de 88 milhões de euros) com origem nos donativos de católicos de todo o mundo à Cáritas do país, bem como a outras instituições de ajuda humanitária, o que demonstra “a preocupação do Papa por aquela que ele chama de ‘sua amada Síria‘”.

Também no sábado, o Papa Francisco publicou um decreto que reformula a unidade do Vaticano para a luta contra branqueamento de capitais, que se passa a denominar Autoridade de Supervisão e Informação Financeira (ASIF).

A antiga Autoridade de Informação Financeira, criada por Bento XVI, antecessor de Francisco, tem agora novo estatuto e poderes reforçados, como explica o seu presidente, Carmelo Barbagallo, em entrevista ao portal Vatican News, citada na Ecclesia.

Segundo o responsável italiano, a mudança insere-se na tentativa de reforçar “os controlos do campo económico-financeiro”, na actividade do Estado do Vaticano e dos organismos da Santa Sé.

O organismo vê agora consagrada a dimensão de “supervisão”, que se acrescenta à função de combate à lavagem de dinheiro e ao financiamento do terrorismo, assumidas desde a sua criação, em 2013.

 

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