Papa e Conselho Ecuménico apelam ao fim da operação turca contra curdos

| 14 Out 19 | Direitos Humanos, Liberdade religiosa, Newsletter, Outras Religiões, Papa Francisco, Sociedade - homepage, Últimas

Refugiados curdos a deixaram os sítios onde viviam. Foto: Direitos reservados/AsiaNews

 

O Papa Francisco apelou neste domingo, 13 de Outubro, a que os actores envolvidos na operação militar turca contra os curdos, no nordeste da Síria, bem como a comunidade internacional se envolvam “com sinceridade, honestidade e transparência no caminho do diálogo, buscando soluções eficazes”. Na sua alocução dominical do Angelus, o Papa referiu: “Os meus pensamentos voltam-se mais uma vez para o Médio Oriente. Em particular, a amada e atormentada Síria, de onde chegam novamente notícias dramáticas sobre a sorte das populações do nordeste do país, forçadas a abandonar suas casas por causa de ações militares. Entre essas populações, há também muitas famílias cristãs.”

Também o secretário-geral do Conselho Mundial (Ecuménico) de Igrejas, Olav Fykse Tveit, afirmou que as igrejas cristãs “exigem um fim do sofrimento do povo”. Numa declaração tornada pública na página de notícias do CMI, afirma Tveit: “Chega de luta, caos e morte. É hora da paz, da trégua, do diálogo e da justiça para as vítimas de atrocidades perpetradas por esses anos catastróficos de violência. ” O povo sírio já foi sofreu demasiados “conflitos e muito derramamento de sangue, destruição e deslocações”, acrescenta o secretário-geral do CMI, organização que reúne cerca de 350 igrejas ortodoxas, luteranas, protestantes e anglicanas.

As organizações internacionais, recorda o Conselho Ecuménico, temem que cerca de dois milhões de pessoas sejam atingidas directamente pela operação turca, tendo em conta o impacto nas infra-estruturas e serviços do quotidiano.

Na ofensiva turca, iniciada na semana que findou, depois de os Estados Unidos terem anunciado a retirada das suas tropas da Síria, já terão morrido algumas centenas de pessoas. Ao mesmo tempo, registam-se já milhares de deslocados – muitos dos quais já teriam fugido de outros sítios para onde estavam agora, como recorda a página noticiosa do CMI.

A área que tem estado sob ataque da Turquia, governada pela Auto-administração do Nordeste da Síria, inclui populações cristãs, yazidis, curdas, árabes e de outros grupos, todos eles sem apoio e já com uma situação muito fragilizada por causa da guerra que tem atingido a Síria desde 2011.

Os curdos representam entre 7% e 10% da população síria, recorda a BCC. Mas antes da guerra os curdos eram 24,5 milhões de habitantes e hoje não passam de 18 milhões, segundo estimativas da Organização das Nações Unidas (ONU), diz a mesma fonte.

A operação militar da Turquia contra os curdos pode ter consequências muito negativas no processo político liderado pela ONU tendente a conseguir reatar o diálogo nacional na Síria por meio do Comité Constitucional, recorda ainda o CMI.

Sábado, calculava-se para mais de 100 mil pessoas as que teriam já deixado os lugares onde residiam ou tinham encontrado refúgio.

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