Através de um motu proprio

Papa eleva a beato um apóstolo dos pobres do séc. XII

| 18 Mai 2024

 

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Guy de Montpellier dedicou a vida aos pobres. Imagem © Vatican News

 

Entre os muitos tesouros que a história da Igreja Católica contém, o Papa Francisco entendeu este sábado destacar o enorme testemunho de Guy de Montpellier que, seguindo o trilho e vontade de seu pai, se dedicou a todo o tipo de pobreza e a todo o tipo de pobres.

Atendendo à sua fé e “caridade ardente, tão piedoso e amante dos pobres que os honrava como mestres, venerava-os como patronos, amava-os como irmãos, cuidava deles como filhos, enfim, venerava-os como imagem de Cristo”, Francisco, citando palavras de um estudioso, entendeu ser chegada a hora de o tornar beato e de o considerar merecedor de culto litúrgico.

Como refere o motu proprio através do qual anunciou esta decisão, Guy nasceu na segunda metade do século XII (1160), na cidade francesa de Montpellier, no seio de uma família abastada. Ainda antes dos 30 anos, começou a servir os pobres e os necessitados, fundando para eles uma casa-hospital nos arredores de Montpellier, no sul de França, obra que confiou à misericórdia ao Espírito Santo.

O impacto foi tal que começaram a multiplicar-se aqueles que manifestavam vontade de lhe seguir os passos, assim nascendo uma comunidade de homens e mulheres, leigos e eclesiásticos. O Papa Inocêncio III, que havia feito estudos em França, teve conhecimento das obras de misericórdia realizadas por Guy e seus companheiros e, após a sua eleição para o papado, deu-lhes o seu apoio e recomendou aos bispos que fizessem o mesmo.

A ordem que assim nasceu, designada dos irmãos hospitaleiros do Espírito Santo, além dos três votos habituais da pobreza, castidade e obediência, exigia um quarto: o de dedicar a vida toda a cuidar dos pobres, apontando-lhes as sete obras de misericórdia temporais (dar de comer a quem tem fome; dar de beber a quem tem sede; vestir os nus; dar pousada aos peregrinos; cuidar dos enfermos; libertar os cativos; enterrar os mortos). Como preâmbulo à regra da ordem, aprovada pelo Papa em 1198, Guy colocou parte do capítulo 25 do Evangelho de Mateus (Tive fome e deste-me de comer…).

Ainda que a obra principal fossem os hospitais, a vocação da ordem fundada por Guy de Montpellier incluía também, no dizer do motu proprio, “assistência material e espiritual às mães sozinhas e às prostitutas – foi construída uma das primeiras rodas de enjeitados no Hospital do Espírito Santo de Sassia, onde os bebés podiam ser deixados anonimamente ao cuidado da comunidade de Guy; os bebés abandonados têm assim uma oportunidade de desenvolvimento integral na domus hospitalis” (casa hospitalar).

Mas o novo beato não se limitava a ajudar os que vinham ter com ele ou com os seus irmãos e irmãs; ele encorajava-os a “sair para a rua em busca dos necessitados”. E combinava este serviço incondicional aos pobres com “a contemplação religiosa do amor de Deus. Deste encontro constante com Deus, ele tirava a força para servir os infelizes, tornando-se para eles uma fonte de conforto, de alegria e de paz”.

Segundo uma fonte católica consultada pelo 7MARGENS, Guy terá sido também “o primeiro a pôr em prática o princípio da família de acolhimento, experimentando a criação de colocações familiares”

Quanto aos hospitais fundados por inspiração desta ordem religiosa, o mais importante, o do Espírito Santo de Sassia, foi fundado em Roma, em 1204, e chegou a ter 300 camas e a atender mil doentes por dia. Para se avaliar a força desta dinâmica, calcula-se que, pouco mais de duzentos anos depois, existiriam na Europa mais de mil hospitais, fundados e orientados por irmãos e irmãs da Ordem do Espírito Santo.

“O exemplo de Guy de Montpellier, escreve o Papa Francisco, homem absolutamente único na sua vida espiritual humilde, na sua obediência e no seu serviço aos pobres, sempre atraiu e inspirou. Pensamos, por isso, que chegou o momento de o apresentar de forma especial à Igreja de Deus, a quem continua a falar através da sua fé e das suas obras de misericórdia”.

A inclusão deste fundador na lista dos beatos fica a dever-se, segundo o Papa, aos juízos laudatórios de papas anteriores, de numerosos pedidos que chegaram e continuam a chegar a Roma por parte de bispos, religiosos, membros de congregações inspirados na regra desta ordem e também por muitos leigos. A memória dele através da liturgia das horas e da celebração eucarística passará a fazer-se no dia 7 de fevereiro, sendo obrigatória para as ordens, congregações e institutos do Espírito Santo, bem como para os institutos inspirados no carisma de Guy.

 

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