O problema de saúde do Papa foi identificado e o respetivo tratamento já está a começar a surtir efeito, pelo que apesar de a situação ser delicada não é caso para alarmismo, defende o padre jesuíta Antonio Spadaro, subsecretário do Dicastério para a Cultura, numa entrevista publicada esta quarta-feira, 19 de fevereiro, no jornal italiano Corriere della Sera. O também jornalista estima que dentro de duas a três semanas Francisco possa sair do hospital.
“Francisco é um homem de 88 anos que tinha um problema sério, mas agora está em tratamento. Não é um tratamento simples, certamente que exigirá tempo. Há uma grande atenção, como é natural, é evidente que a situação é delicada, mas não me parece ter percebido nenhuma forma de alarmismo”, afirma o ex-diretor da revista jesuíta La Civiltà Cattolica.
“O importante é que agora ele passe o tempo necessário num ambiente protegido”, o que deverá corresponder a “mais ou menos duas ou três semanas”, adianta Spadaro, recordando que Francisco “nunca se permitiu um descanso completo, não tira férias desde os anos setenta”. “Ele nunca se quer poupar. E para completar, não tem problemas em mostrar a sua fraqueza”, acrescenta o padre jesuíta que tem acompanhado todas as viagens do Papa e agora acompanha de perto o seu estado de saúde.
“É claro que ele acha difícil ficar fechado num espaço asséptico”, reconhece Spadaro. E por isso “até hoje ele lê jornais, trabalha um pouco, faz telefonemas. Como sempre, ele demonstra uma energia vital extraordinária”. A verdade, sublinha, é que Francisco “não é uma pessoa de desistir, não é um homem resignado. E esse é um elemento muito positivo, já vimos isso no passado também.”
Questionado sobre se é expectável que o Papa renuncie, Spadaro recorda as palavras do próprio: “Ele tem consciência, como disse no passado, de que se governa com a cabeça e não com as pernas. Claro, é também uma questão de avaliar as energias que podem ser necessárias. O Papa é uma pessoa que, se entendesse que não tinha mais forças para levar a Igreja adiante, renunciaria. Mas enquanto ele sentir que a energia está lá, um problema de saúde temporário não o impedirá”, assegura.
De acordo com os comunicados desta quarta-feira divulgados pela Sala de Imprensa do Vaticano, o Papa “teve uma noite tranquila, acordou e tomou o pequeno-almoço”. E não permaneceu na cama: “sentou-se numa poltrona”, “leu alguns jornais”, e depois até se dedicou “às atividades de trabalho com os seus colaboradores mais próximos”. Quanto aos exames de sangue, “avaliados pela equipa médica, mostram uma leve melhoria, especialmente nos índices inflamatórios”, e também “o seu coração está bem”.
Durante a tarde, Francisco recebeu a visita da primeira-ministra italiana Giorgia Meloni, que expressou ao Papa os seus desejos de uma rápida recuperação em nome do Governo e de toda a Nação e disse estar “muito feliz por tê-lo encontrado alerta e receptivo”. “Brincámos como sempre. Ele não perdeu o seu proverbial sentido de humor”, partilhou Meloni, citada pelo Vatican News.
Entretanto, de todo o mundo, continuam a chegar mensagens de proximidade e orações pela saúde de Francisco, incluindo de Portugal.
O Patriarca de Lisboa, Rui Valério, enviou na manhã desta quarta-feira uma carta a todas as paróquias e comunidades da diocese, pedindo que adicionem uma intenção especial de oração pela saúde do Papa durante a celebração das missas. “Neste Ano Jubilar, dedicado ao tema da esperança, continuamos firmes na nossa peregrinação de fé, fortalecidos pelo dedicado testemunho do nosso Pontífice”, assegura o bispo
Já ao final da tarde, a Conferência Episcopal Portuguesa divulgou uma mensagem informando que “acompanha, com esperança e confiança em Deus, a situação de maior fragilidade da saúde do Papa Francisco nestes últimos dias” e convidando todos os fiéis “à intensificação da oração particular e comunitária, pedindo pela sua saúde e para que a fortaleza de Deus o assista neste momento”. “Lembramos, também, os profissionais de saúde que cuidam do Santo Padre e empregam todo o conhecimento científico no seu conforto e recuperação”, escrevem os bispos portugueses.
(Imagem de destaque: Papa Francisco durante audiência geral de 12 de junho, na Praça de São Pedro. © Vatican Media)
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