Papa evoca Aristides de Sousa Mendes e pede mais “liberdade de consciência”

| 17 Jun 20

Foi há precisamente 80 anos, a 17 de junho de 1940, que Aristides de Sousa Mendes, desobedecendo às ordens de Salazar, começou a emitir 30 mil vistos que permitiram a entrada no país a milhares de judeus que fugiam à ameaça nazi. A data que agora se assinala como o Dia da Consciência foi recordada pelo Papa Francisco no final da sua audiência geral desta quarta-feira, que se referiu ao então cônsul português em Bordéus como uma inspiração para todos os cristãos.

“Celebra-se hoje o Dia da Consciência, inspirado no testemunho do diplomata português Aristides de Sousa Mendes”, referiu o Papa, recordando-o como alguém que “decidiu seguir a voz da consciência e salvou a vida de milhares de judeus e outros perseguidos”.

“Que a liberdade de consciência seja sempre e em toda parte respeitada; e que cada cristão possa dar exemplo de coerência com uma consciência reta e iluminada pela Palavra de Deus”, apelou Francisco, a partir da biblioteca do Palácio Apostólico.

No passado dia 9, o parlamento português aprovou por unanimidade o projeto de resolução apresentado pela deputada não-inscrita Joacine Katar Moreira para a concessão de honras de Panteão Nacional a Aristides de Sousa Mendes. Na apresentação do projeto, a deputada sublinhou a necessidade de “o Estado Português reconhecer a Aristides de Sousa Mendes o que o Estado fascista não reconheceu”. Na ocasião, todas as bancadas teceram elogios ao antigo cônsul.

(Vídeo da audiência geral do Papa Francisco de quarta-feira, 17 de junho. A referência a Aristides de Sousa Mendes surge a partir dos 47’21”. Fonte: Vatican News)

 

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