Marcelo Rebelo de Sousa foi ao Vaticano no início de ambos os mandatos para se encontrar com o Papa Francisco. Agora, no momento da despedida da Presidência, voltou à Santa Sé para se encontrar com o Papa Leão XIV. Falaram durante cerca de 25 minutos, e entre os temas abordados estiveram as vítimas da tempestade Kristin e uma eventual visita a Portugal, já no próximo ano.
“Eu agradeci-lhe muito a carta [que o Papa enviou ao presidente da Conferência Episcopal Portuguesa e bispo de Leiria-Fátima, José Ornelas, na sequência do temporal] e ele exprimiu a sua bênção especial para todos os que sofreram e para as comunidades em geral, surpreendido por serem tantos municípios a serem atingidos”, disse o Presidente da República Portuguesa aos jornalistas, após o encontro que decorreu no Palácio Apostólico do Vaticano, na manhã desta segunda-feira, 2 de fevereiro.
Marcelo Rebelo de Sousa convidou o Papa a visitar Portugal em 2027, pelos 110 anos das Aparições de Fátima, e admitiu ter saído do encontro “com esperança” de que tal venha mesmo a acontecer.
Entre os temas abordados durante o encontro, estiveram ainda as mudanças políticas em Portugal, a guerra na Ucrânia, a situação na Europa e em vários países lusófonos, como Angola e Moçambique.
Questionado sobre a posição do Papa, Marcelo disse que a mesma está “alinhada com todos os que estão preocupados com vários aspetos da situação internacional atual, como a instabilidade, a imprevisibilidade, a guerra, as consequências sociais e económicas”, e referiu-se a Leão XIV como tendo “um estilo mais racional, mais matemático”.
Na tradicional troca de presentes, Marcelo Rebelo de Sousa ofereceu ao Papa uma pintura portuguesa do século XVII que representa Santo Agostinho, com moldura em talha dourada do século XVIII, um registo religioso da autoria de Branca Franco e o livro Dez anos por Portugal, uma edição da Presidência da República que reúne fotografias dos seus dois mandatos.
Após a audiência papal, o presidente da República foi recebido pelo secretário de Estado do Vaticano, cardeal Pietro Parolin, acompanhado por Richard Gallagher, secretário do Vaticano para as Relações com os Estados e as Organizações Internacionais.

Após a audiência papal, o presidente da República foi recebido pelo secretário de Estado do Vaticano, cardeal Pietro Parolin. Foto © Vatican Media
Segundo nota da Santa Sé, enviada aos jornalistas, “durante as cordiais conversações na Secretaria de Estado, foi reiterado o apreço recíproco pelas sólidas relações bilaterais, tal como pelo bom relacionamento entre o Estado e a Igreja local”.
“Em seguida, foi abordada a questão das dolorosas consequências e dos danos causados pela tempestade Kristin. Por fim, fez-se referência à situação sociopolítica nacional e internacional, com especial atenção aos países lusófonos, salientando-se a importância de um compromisso constante em prol da paz no mundo”, acrescenta o comunicado oficial.
Na sua passagem por Itália, Marcelo Rebelo de Sousa visitou ainda o túmulo do Papa Francisco, na Basílica de Santa Maria Maior, onde depositou rosas brancas.
O chefe de Estado português tinha estado no Vaticano a 18 de maio, para a missa de início de ministério petrino de Leão XIV.










