Viagem a Chipre e Atenas

Papa foi levar a casa o frade que foi seu intérprete

| 10 Dez 2021

O franciscano Eduardo Jimenez no papel de tradutor: “O sentimento de acolhimento do outro, de que o Papa fala frequentemente, vive-o de forma concreta e faz-nos sentir isso desde o primeiro momento.” Foto © Vatican Media. 

 

Frei Eduardo foi como que a sombra do Papa Francisco, durante os cinco dias que durou a recente viagem pastoral a Chipre e à Grécia. Coube-lhe o papel de intérprete entre o grego e o italiano de todas as falas que não estavam pré-escritas, incluindo conversas privadas. Mas a maior surpresa estava reservada para o regresso a Roma, logo à saída do aeroporto de Ciampino.

A história, que é contada pelo jornalista Daniele Rocchi, da agência italiana SIR, começou algum tempo antes da visita, quando o superior do padre frei Eduardo Masseo Miguel Gutierrez Jimenez, OFM (acrónimo de ordem dos frades menores franciscanos) lhe comunicou, de forma surpreendente, que iria ter a tarefa de acompanhar o Papa Francisco, dados os seus conhecimentos da língua grega e italiana, a que junta ainda a espanhola, dado ser de origem mexicana.

“Nunca, jamais, tal coisa me teria passado pela cabeça. Tomei isso como um dom de Deus; não o procurei, até porque era algo que eu nunca tinha feito”, observou.

A marca do estilo de Francisco começou logo desde a chegada a Chipre, com uma tirada do Papa jesuíta ao jovem franciscano ainda antes mesmo de o saudar: “Vocês, franciscanos vêm até mim para qualquer lugar que eu vá.” Pouco depois, numa viagem do aeroporto para Nicósia, pediu ao frade que, quando estivesse a interpretar para ele, falasse em espanhol. “O Papa é extremamente acolhedor, senti-me estimado como um neto é estimado pelo seu avô. Com grande cuidado paternal e ternura”, afirmou frei Eduardo.

Para o jovem frade estes cinco dias passados com o Papa Francisco foram “como um tempo de exercícios espirituais inacianos”. O que mais o impressionou nele foi “a sua capacidade de fazer com que todos ao seu redor se sintam ‘em casa’. Aquele sentimento de abertura e de acolhimento do outro, de que fala frequentemente, vive-o de forma concreta e profunda e faz-nos sentir isso desde o primeiro momento”, acrescentou.

Abertura e acolhimento, mas também capacidade de gestos surpreendentes. Veja-se o que aconteceu ao franciscano, contado por ele próprio: “Quando ainda estávamos em Atenas, e nos encaminhávamos para o último encontro, com os jovens, o Papa perguntou-me como iria para casa, quando chegássemos a Roma. Respondi que tomaria transporte público, pois os frades da sua comunidade não estavam avisados.”

A conversa ficou por ali naquele momento. Quando aterrámos em Ciampino, a segurança papal fez-me sinal para me aproximar. O Papa, assim que me viu, disse-me ‘meu filho, vou-te levar a casa; depois continuo e vou para a minha casa’. Diante dessas palavras fiquei em silêncio; que poderia eu responder? Quando chegamos ao convento dirigimo-nos a uma entrada. O Papa, apesar do cansaço da viagem, saiu do carro e foi a pé até a porta do convento. Antes de partir, quis saudar os frades. O Papa levou-me do aeroporto para casa. Foi um gesto que, uma vez mais, revela toda a sua humanidade e simplicidade de coração ”.

Desde os tempos de S. Francisco, os franciscanos estão encarregues da Custódia da Terra Santa. Eduardo Jimenez, pode seguir também essas pisadas. Está atualmente em Roma, na reta final do doutoramento em História das Igrejas Orientais, no Pontifício Instituto Oriental,  Antes disso, fez uma licenciatura na cidade grega de Tessalónica e estudos da língua grega em Atenas. 

 

Apoie o 7MARGENS e desconte o seu donativo no IRS ou no IRC

“A grande substituição”

[Os dias da semana]

“A grande substituição” novidade

Outras teorias da conspiração não têm um balanço igualmente inócuo para apresentar. Uma delas defende que estamos perante uma “grande substituição”; não ornitológica, mas humana. No Ocidente, sustentam, a raça branca, cristã, está a ser substituída por asiáticos, hispânicos, negros ou muçulmanos e judeus. A ideia é velha.

Humanizar não é isolar

Humanizar não é isolar novidade

É incontestável que as circunstâncias de vida das pessoas são as mais diversas e, em algumas situações, assumem contornos improváveis e, muitas vezes, indesejáveis. À medida que se instalam limitações resultantes ou não de envelhecimento, alguns têm de habitar residências sénior, lares de idosos, casas de repouso,…

Agenda

Fale connosco

Pin It on Pinterest

Share This