Papa Francisco institui ministério de catequista para homens e mulheres

| 11 Mai 21

Catequese na Paróquia de São José/Algueirão (http://paroquiasaojose.pt)/via Ecclesia

O Papa Francisco decidiu instituir na Igreja Católica o ministério de catequista, através da carta apostólica Antiquum ministerium (“Ministério Antigo”), publicada nesta terça-feira,11 de Maio.

“Depois de ter ponderado todos os aspectos, em virtude da autoridade apostólica, instituo o ministério laical de catequista”, escreve Francisco, sublinhando que “ainda hoje, há muitos catequistas competentes e perseverantes que estão à frente de comunidades em diferentes regiões, realizando uma missão insubstituível na transmissão e aprofundamento da fé”.

A decisão diz respeito a homens e mulheres que não pertencem ao clero nem a institutos religiosos, reconhecendo de forma “estável” o serviço que prestam na transmissão da fé, “desempenhado de maneira laical como exige a própria natureza do ministério”.

“Convém que, ao ministério instituído de catequista, sejam chamados homens e mulheres de fé profunda e maturidade humana, que tenham uma participação activa na vida da comunidade cristã, sejam capazes de acolhimento, generosidade e vida de comunhão fraterna, recebam a devida formação bíblica, teológica, pastoral e pedagógica para ser solícitos comunicadores da verdade da fé e tenham já maturado uma prévia experiência de catequese”, refere o Papa.

Francisco assinala que um ministério laical como o de catequista imprime uma “acentuação maior ao empenho missionário típico de cada um dos baptizados”, convidando as comunidades católicas a rejeitar “qualquer tentativa de clericalização”.

A carta apostólica refere que o catequista deve estar ao “serviço pastoral da transmissão da fé” que se desenvolve nas suas diferentes etapas, desde o “primeiro anúncio” à formação permanente, passando pela preparação para os sacramentos da iniciação cristã (Baptismo, Confirmação e Eucaristia).

Francisco recorda que, em 1972, o Papa Paulo VI já adaptara os ministérios de leitor e acólito, pedindo às Conferências Episcopais para promover outros ministérios, entre os quais o de catequista, como “reconhecimento da presença de leigos e leigas que, em virtude do seu Batismo, se sentem chamados a colaborar no serviço da catequese”.

Esta presença torna-se ainda mais urgente nos nossos dias, devido à renovada consciência da evangelização no mundo contemporâneo e à imposição duma cultura globalizada, que requer um encontro autêntico com as jovens gerações, sem esquecer a exigência de metodologias e instrumentos criativos que tornem o anúncio do Evangelho coerente com a transformação missionária que a Igreja abraçou”.

O Papa adianta que o ministério exige um “devido discernimento” por parte de cada bispo diocesano e deve ser assumido, publicamente, através de um rito de instituição – cuja fórmula está a ser preparada pela Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, do Vaticano.

“Convido, pois, as Conferências Episcopais a tornarem realidade o ministério de catequista, estabelecendo o percurso formativo necessário e os critérios normativos para o acesso ao mesmo, encontrando as formas mais coerentes para o serviço que estas pessoas serão chamadas a desempenhar em conformidade com tudo o que foi expresso por esta Carta Apostólica”, escreve.

Num comentário à decisão do Papa, o presidente da Comissão Episcopal da Educação Cristã e Doutrina da Fé (CEECDF) disse que ela é “um justo reconhecimento da missão do catequista”. O também bispo de Aveiro acrescentou, numa declaração enviada ao 7MARGENS, que a carta do papa destaca o catequista como “estrutura central da transmissão da fé nas comunidades crentes”.

O novo ministério passa a ter a sua raiz já não apenas no sacramento da ordem, mas também no baptismo e na confirmação, acrescenta. 

Esta nova decisão de Francisco sobre ministérios laicais segue-se àquela que o Papa já tomara em 11 de Janeiro, quando estabeleceu que as mulheres passam a ter acesso aos ministérios de leitora e acólita, quando publicou o motu proprio Spiritus Domini.

Em Portugal, a Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) iniciou, na sua última assembleia plenária, uma reflexão sobre “ministérios laicais numa Igreja ministerial”, que continuará nas instâncias diocesanas e comissões sectoriais da CEP.

D. José Ornelas, presidente da CEP, falou de ministérios específicos, exemplificando com obras de caridade ou funções de acolhimento e de catequese nas comunidades católicas, além da presidência na ausência de sacerdotes.

 

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