Papa Francisco: Visita aos EAU escreve “nova página na história do diálogo entre o cristianismo e o islão”

| 6 Fev 19 | Diálogo ecuménico e inter-religioso, Papa Francisco, Últimas

Foto © Vicariato Apostólico do Sul da Arábia.

O Papa Francisco afirmou que a sua visita, esta semana, aos Emirados Árabes Unidos (EAU) escreveu “uma nova página na história do diálogo entre o cristianismo e o islão” e na promoção da paz mundial baseada na fraternidade.

Citado pela Associated Press, Francisco descreveu, na audiência geral das quartas-feiras, no Vaticano, o seu encontro com líderes muçulmanos como contrário à “forte tentação” de afirmar que há um choque cultural entre as civilizações cristã e islâmica.

Na sua intervenção, o Papa argentino revelou ter conhecido o sacerdote mais idoso do país que, aos 92 anos, na cadeira de rodas e cego, continua o seu trabalho, sempre com um sorriso no rosto. Relembrou ainda que esta visita foi realizada “oitocentos anos após a visita de São Francisco de Assis ao Sultão al-Malik al-Kamil.”

Aquando da visita papal, num encontro inter-religioso com vários representantes de diferentes credos, o Papa Francisco sublinhou o dever de os líderes espirituais rejeitarem a guerra: “A guerra nada mais pode criar senão miséria; as armas nada mais, senão morte! A fraternidade humana impõe-nos, a nós representantes das religiões, o dever de banir toda a nuance de aprovação da palavra guerra. Restituamo-la à sua miserável crueza. Estão sob os nossos olhos as suas consequências nefastas. Penso em particular no Iémen, na Síria, no Iraque e na Líbia.”

Com isto, condenou a violência em nome de Deus: “Todas as formas de violência devem ser condenadas sem hesitação…Nenhuma violência pode ser justificada em nome da religião.”

Na primeira missa celebrada por um Papa na Península Arábica, foram milhares os peregrinos que compareceram e rejubilaram com o acontecimento, como disse o Papa nesta manhã: “Neste oásis multiétnico e multirreligioso que são os Emirados Árabes Unidos, existe um bom número de cristãos, trabalhadores originários de vários países, para quem celebrei a santa missa no estádio da cidade, anunciando-lhes o Evangelho das Bem-aventuranças”. A maioria da população nacional dos EAU são muçulmanos mas 90% dos que lá habitam são emigrantes, incluindo aproximadamente 1,2 milhões de cristãos.

Rosalie Ayuso, emigrante das Filípinas, e o seu marido Paul viajaram do Dubai (onde vive a maior comunidade católica no Golfo) e não dormiram durante 24 horas para chegar a tempo. Mas, segundo ela, “há que fazer sacrifícios se eles compensam no final.”

À CNN, Fareed Morcos, 33, um espectador da missa, expressou o quão maravilhado se encontrava: “Não estamos numa igreja e mesmo assim estamos todos juntos. Estamos num país muçulmano! É uma experiência fantástica. Muito emocional e espiritual. Espero que possa continuar a acontecer.”

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Imaginemos que um islamita armado entrava num domingo na Sé de Lisboa e assassinava cinquenta católicos, entre adultos e crianças. Foi o que fez o supremacista branco Brenton Tarrant. Só que os mortos são muçulmanos, abatidos em duas mesquitas de Cristchurch (Nova Zelândia). Para alguns é mais fácil a cobardia do assassinato do que a coragem da convivência.

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