Leão XIV está de volta a Castel Gandolfo para um fim de semana prolongado de descanso, que inclui alguns compromissos públicos e celebrações. À chegada, na noite desta quarta-feira, 13 de agosto, falou aos jornalistas sobre o que espera do encontro entre Benjamin Netanyahu e Donald Trump, que terá lugar esta sexta-feira, e sobre a possibilidade de a população de Gaza ser deportada. “É preciso buscar sempre o cessar-fogo, é preciso acabar com a violência, com tantas mortes”, apelou o Papa.
Concretamente em relação ao conflito na Ucrânia, Leão XIV manifestou esperança de que os líderes políticos cheguem a um acordo. “Porque a guerra depois de tanto tempo, qual é o objetivo? É preciso sempre buscar o diálogo, o trabalho diplomático e não a violência, não as armas”, disse. Quanto ao conflito israelo-palestino, o Papa defendeu que “é preciso resolver a crise humanitária, não se pode continuar assim. Conhecemos a violência do terrorismo e respeitamos os muitos que morreram e também os reféns, é preciso que sejam libertados. Mas também é preciso pensar nos muitos que estão a morrer de fome”.
Questionado sobre o que está a fazer a Santa Sé para pôr fim a estes conflitos, Leão XIV assumiu que “a Santa Sé não pode pôr fim [aos conflitos]”. “Mas estamos a trabalhar, digamos, numa soft diplomacy, sempre convidando, incentivando à busca da não violência através do diálogo e procurando soluções, porque estes problemas não se resolvem com a guerra”, assegurou aos jornalistas.
Algumas horas antes, durante a audiência geral na Aula Paulo VI, ao saudar os peregrinos polacos, o Papa chamara a atenção do mundo para as populações dos países assolados por conflitos e violência. “Supliquem a Deus que conceda a paz a todos os povos que vivem a tragédia da guerra”. O ponto de partida para o apelo do pontífice foi a figura de São Maximiliano Maria Kolbe, o franciscano polaco que morreu no campo de concentração de Auschwitz, onde se ofereceu para tomar o lugar de um pai de família destinado ao bunker da fome.
O primeiro encontro com os pobres

A distribuição de presentes de Natal aos utentes da Cáritas de Albano. Leão XIV celebrará missa e almoçará com eles no domingo. Foto: Direitos reservados
Nos próximos dias, durante este segundo período de descanso na residência da Vila Barberini, Leão XIV terá alguns compromissos públicos. Esta sexta-feira, 15 de agosto – em que a Igreja Católica celebra a festa da Assunção de Maria – o Papa celebrará a missa, às 10 horas (menos uma em Lisboa), na Paróquia de São Tomás de Villanova, em Castel Gandolfo, e às 12 horas recitará o ângelus na entrada do Palácio Pontifício, também em Castel Gandolfo.
Já no domingo, 17 de agosto, às 9h30, o Papa celebrará a missa no Santuário de Santa Maria della Rotonda, em Albano Laziale, com cerca de cem pessoas carenciadas, assistidas pela Cáritas diocesana, e também com os colaboradores da instituição. Após a oração do ângelus, irá almoçar com eles.
O almoço irá decorrer no Borgo Laudato si’, um projeto criado pelo Papa Francisco em 2023 e gerido pelo Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral, na área das Vilas Pontifícias, em Castel Gandolfo. O projeto pretende tornar aplicáveis os princípios ilustrados na Encíclica que lhe dá nome, tendo como linhas de orientação a educação para a ecologia integral, a economia circular e generativa e a sustentabilidade ambiental.
Vincenzo Viva, bispo de Albano, deu conta da “alegria” pelo regresso do Papa à cidade, e pela recetividade ao convite da Cáritas, instituição de ação social da Igreja católica que “assiste e cuida” dos mais pobres “todos os dias”. “É a primeira vez que Leão XIV se encontrará com os pobres durante o seu pontificado e estamos muito felizes que ele comece com nossa diocese”, assinalou.










